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Comunidades

Precariedade afecta 

 

60% dos portugueses em Espanha

 

 

Cerca de 50 mil trabalhadores portugueses estarão a trabalhar na construção civil em Espanha. Desses, estima o Sindicato da Construção do Norte de Portugal, mais de 60% não possuem contrato de trabalho, vivem em situação "bastante precária" e são sujeitos a "exploração" por parte dos empreiteiros.

 

Mas o mais grave, denuncia Albano Ribeiro, presidente do sindicato, é que as autoridades portuguesas não estão atentas ao fenómeno, que, no início do próximo ano, poderá desencadear mais uma leva superior a dez mil portugueses. "Desta vez, não vão apenas serventes ou trolhas", prevê, "vão também electricistas, serralheiros, carpinteiros".

"Espanha é a capital europeia do trabalho precário", censura Albano Ribeiro. "À medida que as obras públicas vão acabando em Portugal, mais trabalhadores vão tentar a sorte noutros países".

 

Há trabalho em Portugal


João Baldaia, proprietário de uma empresa do Porto na área da construção e dos condomínios, anda há meses insistentemente à procura de trabalhadores junto de empreiteiros, até no Marco de Canaveses, sem resultados. "Estou aflito", confessa. "Estamos com imenso serviço, inclusive já para o próximo ano, e não conseguimos encontrar gente".

A situação é tão urgente, diz, que foi mesmo obrigado a "pedir pessoal emprestado" para dar seguimento às obras. "Preciso de trolhas e não encontro", queixa-se. "Agora contratamos um, mas só em Agosto é que pode entrar, porque está pelo fundo de desemprego".
O problema, admite, é que "as pessoas vão para fora e esquecem-se que aqui também há falta de trabalhadores, que podem ganhar exactamente o que se ganha lá fora". Como exemplo, indica "um servente, em horário normal, ganha 600 euros, a um pedreiro pagamos mil euros".


Situações “decadentes”

 

Júlio Ferreira, apontador de profissão, não teve essa sorte. Durante meses procurou trabalho, acabando por responder a um anúncio de jornal, que o levou até Ferrol, Naron e Salamanca, no Norte de Espanha. As "cenas de exploração diárias" a que assistiu fizeram-no regressar e alertar as autoridades para as situações "decadentes" que presenciou.

Os contratos, se os houver, não têm duplicado, "são passados com o salário mínimo, para não haver descontos para a Segurança Social", e dão "total liberdade à entidade patronal para despedir o trabalhador a qualquer momento e sem regalias".
Seguem-se períodos de trabalho de dois meses consecutivos, "mas acaba-se por se receber apenas um salário". Segundo o operário, quem ousa reclamar "entra na lista negra e ainda ouve: ‘se não queres, vai-te embora’".
Regra geral, lembra Júlio Ferreira, os portugueses trabalham entre as 8 e as 20 horas, podendo o horário prolongar-se até às 23, sem que lhes sejam pagas horas extraordinárias. Não têm, ainda, direito a equipamento de segurança, muito menos a assistência hospitalar.

 

220 a 250 horas mensais

É quanto trabalhará em média um português em Espanha.

4,5 euros

É quanto ronda um salário horário.


3 quartos

É a média dos alojamentos disponibilizados para 15 pessoas. Cada quarto tem 2,5 x 3 m2.

50 mil trabalhadores

É o número de portugueses que estarão a trabalhar na construção civil em Espanha, segundo o Sindicato da Construção do Norte (Portugal).

 

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Emigrantes cada vez mais vistos 

 

como fonte de investimentos para o país

 

 

Segundo o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, António Braga, os Gabinetes de Apoio ao Emigrante, para além do apoio social, podem contribuir para a internacionalização da economia portuguesa. Numa altura em que Portugal atravessa um momento de crise, as autoridades portuguesas insistem no recurso aos cidadãos emigrados para captar investimentos.

 

António Braga reforçou esta ideia durante a assinatura de um acordo de cooperação com a Câmara Municipal de Almeida, com vista ao funcionamento de um serviço de apoio aos portugueses residentes no estrangeiro.

"Temos cinco milhões de portugueses que vivem e trabalham fora de Portugal. Temos identificado que a maioria tem tido sucesso na sua vida. Descobrimos 120 mil empresas tituladas por portugueses fora de Portugal e 20 mil são grandes empresas em áreas que vão desde a banca, à indústria farmacêutica, até às novas tecnologias", referiu o secretário de Estado.

"É uma grande oportunidade para nós conseguir captar investimentos e criar parcerias com esses empresários das comunidades portuguesas que desconhecem o que se passa hoje em dia em Portugal, que é um país de novas oportunidades", acrescentou António Braga.

 

Criar condições de reinserção

 

O titular da pasta das comunidades lançou ainda o desafio à Câmara Municipal de Almeida para que através do Gabinete de Apoio ao Emigrante, divulgue "as valências do concelho para captar investimentos e criar parcerias".

O gabinete tem como principal missão apoiar os emigrantes naturais da região em áreas como a segurança social, o emprego e o ensino.

O autarca de Almeida, António Baptista Ribeiro, valoriza a criação do serviço pelo facto de permitir apoiar os naturais do concelho que nas décadas de 60 e 70 partiram para o estrangeiro "à procura de um futuro melhor". "Esses cidadãos regressaram e temos que dar resposta às informações solicitadas, criando condições de reinserção quando regressam ao país", afirmou.

A nível nacional existem 60 destes gabinetes, cujo funcionamento é assegurado por funcionários das autarquias com quem a Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas celebrou protocolos.

 

ASR

 

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Federação de Empresários Portugueses na Alemanha

 

cumpre 10 anos sem grandes apoios

 

 

A Federação dos Empresários Portugueses na Alemanha (VPU) comemorou a 11 de Junho, em Bona, 10 anos de existência dedicados ao fomento das relações comerciais luso-alemãs, embora sem grandes apoios de Lisboa.

 

O grande impulsionador da VPU tem sido o economista e empresário Duarte Branco, dono de uma agência de tradução em Bona, que preside há oito anos aos destinos da federação.

O presidente da VPU faz questão de sublinhar que, ao longo de uma década, foram investidos pela sua organização cerca de 2,5 milhões de euros no incremento das relações empresariais luso-germânicas. No entanto, o responsável lamenta que Portugal tenha tido uma contribuição reduzida, do ponto de vista financeiro, para este esforço de divulgação.

 

Muitos projectos, poucas ajudas

 

"A ajuda portuguesa ao nosso trabalho não ultrapassou os 30 mil euros, já tivemos protocolos com o ICEP, mas actualmente nem isso", disse Duarte Branco.

O empresário português dá como exemplo o presente serviço de “check-up” empresarial que a VPU faculta aos empresários na Internet, um projecto de 400 mil euros com o apoio da União Europeia. "Como o nosso encargo neste projecto era de 80 mil euros, pedi apoio ao Ministério da Economia português, e o ICEP contrapôs um subsídio de cinco mil euros, mas só para acções concretas, que acabou por não ser concedido", explica Duarte Branco.

A VPU lamenta também que um projecto de formação profissional luso-germânico que o Ministério do Ensino e da Tecnologia alemão estava disposto a financiar com 10 milhões de euros tenha sido cancelado, porque, afirma Duarte Branco "Lisboa não deu resposta atempada".

 

Pouca mobilização

 

Organizar os empresários portugueses na Alemanha também não tem sido tarefa fácil, porque de cerca de quatro mil comerciantes e industriais, "só uns 200 se interessam, participam e respondem às acções", diz o presidente da VPU. No entanto, mesmo a maioria dos mais activos recusa-se a pagar quotas, o que impede a VPU de ter mais desafogo financeiro.

"A adesão é fraca, os portugueses estão habituados a querer tudo de borla, não têm espírito associativo, são mais individualistas que os alemães", observa Duarte Branco.

Mesmo assim, o projecto VPU, na opinião do seu presidente, "valeu a pena, porque se investiu em meios humanos e financeiros, e conseguiu- se criar mais transparências, houve muitas sinergias".

 

FA

 

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Artistas luso-canadianos 

 

fazem campanha do orgulho português

 

 

As cantoras Suzana da Câmara e Sarah Barreiros protagonizam este ano a campanha do "orgulho em ser luso-canadiano", promovida pela Sociedade Portuguesa de Benevolência, de Vancouver, no Canadá.

"Sou canadiana. Também sou portuguesa. Tenho orgulho em ser luso-canadiana. E você?" é a mensagem que surge nos cartazes junto à fotografia da cantora de jazz Suzana da Câmara.

"A ideia desta campanha é fazer com que luso-canadianos de grande êxito, ídolos da comunidade portuguesa, manifestem o seu orgulho nas nossas raízes", afirmou em Montreal, Terry Costa, director executivo daquela associação comunitária portuguesa.

O responsável citou o exemplo da cantora pop luso-canadiana Nelly Furtado, que "afirma publicamente ter origens portuguesas", não apenas como pessoa mas no seu próprio trabalho, designadamente em canções que compõe.

"Nelly Furtado é um ídolo em todo o Canadá. Mas há muitas personalidades neste país que, apesar das raízes, nunca o revelam", acrescentou Terry Costa, justificando as razões da criação da campanha de afirmação do orgulho em ser português.