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COMMUNICAÇÃO SOCIAL

Textos publicados     Textes publiés

- Conselho de Opinião da RTP veta nova administração proposta pelo governo Junho 02
- Que modelo de serviço público de televisão: latino-americano ou europeu? Junho 02
- Agência Lusa Junho 02
- Comissão de trabalhadores da RDP Junho 02
- Nova Revista Maio 02

 

Junho 02
Conselho de Opinião da RTP veta nova administração
proposta pelo governo

O Conselho de Opinião (CO) da RTP deu parecer desfavorável à nova administração da televisão pública proposta pelo governo, por 19 votos contra e 11 a favor.

O anúncio da decisão foi feito ao final do dia 16 de Maio, em Lisboa, pelo presidente do CO, Consiglieri Pedroso, no final de uma reunião que demorou mais de cinco horas e durante a qual foi ouvido o presidente indigitado para a RTP, Almerindo Marques.

Consiglieri Pedroso disse que a decisão do CO “não pode ser desligado de um projecto do governo” para a RTP, independentemente da apreciação sobre os nomes escolhidos para a nova administração.

“O voto desfavorável não teve que ver com pessoas nem com a sua honorabilidade e competência, teve que ver com questões de soberania, de identidade nacional e de serviço público”, afirmou.

Consiglieri Pedroso esclareceu que os seus comentários sobre a decisão do órgão a que preside são a título pessoal, garantindo, contudo, que todos os membros do Conselho de Opinião “votaram em boa consciência, com sentido de Estado”.

“Foi uma decisão delicada porque a situação da RTP é complexa, é porventura a mais complexa de uma empresa pública no país”, concluiu o presidente do CO da RTP.

Sobre o projecto do governo para a televisão pública, Consiglieri Pedroso adiantou que “ainda há zonas de sombra que não estão suficientemente esclarecidas em relação ao futuro da RTP, nomeadamente o futuro do segundo canal, o financiamento do serviço publico e a questão da publicidade”.

Interrogado pelos jornalistas sobre a possibilidade do governo alterar a lei, retirando ao CO o parecer vinculativo na nomeação da administração da RTP, Consiglieri Pedroso considerou que “a Lei da Televisão deve ser revista” e que não seria “nenhum drama” se fosse retirado ao CO o parecer vinculativo sobre a administração da empresa.

“Até é mais importante o Conselho de Opinião ter o poder de decidir sobre a direcção de informação ou a direcção de antena” da RTP, observou ainda.

Dos 11 membros do CO que eram favoráveis à indigitação da administração proposta pelo governo, cinco apresentaram declaração de voto, entre os quais os dois representantes do próprio governo, Manuel Falcão e Themudo Barata, o representante da Assembleia Regional da Madeira, José Lino Gomes, e um dos representantes da Assembleia da República, Amândio de Azevedo.

Na declaração de voto lê-se que “a fundamentação do parecer do CO desloca-o do domínio das competências do Conselho de Administração (sobre o qual se deveriam pronunciar) para o domínio do governo (e da sua proposta para o futuro da RTP).

 AG/ALP

 

Junho 02
Que modelo de serviço público de televisão:
latino-americano ou europeu?

A política do Governo para o Sector Público da Comunicação Social preocupa profundamente os trabalhadores do sector, quer pelas suas implicações a nível laboral quer pelas consequências a nível social.
Sem pretender escamotear os problemas de gestão e de orientação que afectam o Serviço Público de Comunicação Social, os representantes dos trabalhadores do sector consideram imperativo repor a verdade sobre a situação que se vive na RTP, RDP e Lusa.
Caso mais gravoso para o erário público é o da RTP, que tem actualmente cerca de 190 milhões de contos de défice.
Num breve historial importa lembrar o seguinte:

1. Até 1991, data da eliminação da taxa de televisão por decisão do Governo PSD/Cavaco Silva, a RTP tinha uma situação financeira equilibrada apesar do reapetrechamento técnico feito anos antes com o início das emissões no centro de emissão na 5 de Outubro. O valor resultante da cobrança da taxa era à data da ordem dos 6 milhões de contos/ano, o que em valores actuais representaria pelo menos 16 milhões de contos/ano.

1.1. Como o pagamento da taxa era efectuado mensalmente, o montante cobrado permitia à RTP não ter problemas de tesouraria, ao contrário do que passou a suceder após a sua extinção.

1.2. Apesar de o departamento de taxas ter sido extinto, a RTP absorveu todos os trabalhadores que haviam sido expressamente contratados para o serviço de cobranças.

2. A RTP não foi ressarcida pela extinção da taxa.

3. Por decisão do Governo PSD/Cavaco Silva foi em seguida (1992) retirada à RTP a sua Rede de Emissão e Feixes Hertzianos, com todo o respectivo património, avaliada em cerca de 70 milhões de contos.

3.1. Esta rede, com os seus 132 trabalhadores e toda a manutenção necessária a nível nacional, tinha um custo de cerca de 900 mil contos/ano.

3.2. A Rede foi entregue a uma nova empresa, a TDP  criada na prática para servir um operador privado, a SIC  para a qual foram compulsivamente transferidos trabalhadores da RTP.

3.3. A nova empresa rapidamente cresceu em número de trabalhadores para quase o dobro. Até à integração da TDP na PT, os custos da empresa foram suportados pela RTP.

3.4. Como “contrapartida” desta decisão a RTP “recebeu” 5,4 milhões de contos incorporados no capital, ou seja, não entrou qualquer indemnização nos cofres da empresa.

3.5. A RTP, pelo contrário, passou a pagar três vezes mais cerca de 3 milhões de contos/ano à PT pelo serviço que antes lhe pertencia.

4. Paralelamente a estas medidas, outras houve que gradualmente ajudaram a agravar o défice da RTP, tais como a entrega de produções de programas a produtoras externas (NBP, CCA, MMM, entre outras), em detrimento da produção interna ; a entrega de trabalhos de informação a equipas externas, o que provocou um desaproveitamento da força de trabalho da RTP da ordem dos 40%, como foi apurado numa auditoria interna; a compra desenfreada de programas, sem quaisquer critérios, quando apareceu a concorrência.

5. Quando se esperava uma inversão de gestão com o Governo PS/Guterres, tal não sucedeu. Continuámos a assistir ao desaproveitamento dos meios de produção, com os custos inerentes.

5.1. Extinguiu-se a publicidade no Canal 2, o que corres-pondeu a uma perda de cerca de 3 milhões de contos de receitas.

5.2. Diminuiu-se a publicidade no Canal 1 para 7,5 minutos/hora, em benefício dos privados.

5.3. Assistiu-se à assumpção das dívidas da Edipim, quando esta tinha também na altura sido criada à custa da RTP. Na fase de declínio daquela empresa, a RTP adquiriu 49% das respectiva quotas sem no entanto ter tomado qualquer medida para a sua gestão.

5.4. Desmembrou-se o Centro de Produção de Lisboa da RTP com a criação da Fo&Co (FOCO), o que não trouxe nenhum benefício à empresa.

5.5. Criou-se a Portugal Global, com o alegado objectivo de saneamento da empresa, mas o que se verificou foi um acréscimo de custos no orçamento da RTP, designadamente com o pagamento dos vencimentos da administração da PG e respectivo staff.

6. A acrescentar a tudo isto, de salientar que as indemnizações compensatórias devidas pelo Estado à RTP consagradas num contrato de concessão de Serviço Público ficaram sempre aquém do estipulado, e nunca chegaram atempadamente, obrigando a RTP a recorrer à Banca para o cumprimento das atribuições que o próprio Governo lhe imputava.
A título de exemplo, refira-se que entre essas atribuições se contava, até há pouco tempo, subsídios para a Fundação do Teatro de São Carlos, e ainda no presente a Fundação do Desporto (250 mil contos/ano).

6.1. Fruto desta política, a RTP paga actualmente de juros à Banca cerca de 9 milhões de contos/ano.

7. Como curiosidade, não podemos deixar de referir que em Junho de 1999, em audiência à Comissão de Trabalhadores da RTP, o Grupo Parlamentar do PSD se penitenciou de alguns erros graves cometidos pelo governo PSD, e reconheceu a necessidade de proceder a uma reestruturação profunda da RTP, com formas de financiamento claras e socialmente aceites, mantendo no entanto a sua actual configuração jurídica, sem cisões ou privatizações das suas mais valias.

7.1. Na mesma data, o PP afirmava igualmente em audiência concedida à CT (Comissão de Trabalhadores) que a RTP era um dos pilares do Estado e que a sua existência, com o actual figurino de capitais totalmente públicos, era em si mesma uma presença moderadora de interesses e lobbys na sociedade civil, para além do seu inquestionável papel na defesa da cultura e valores nacionais.
Ainda segundo o PP, que se afirmou defensor das privatizações, o frenesim privatizador do governo (PS) ameaçava passar o poder que antes do 25 de Abril estava na mão de uma dúzia para a mão de três ou quatro, com todos os perigos daí decorrentes.

8. Apesar de todos os erros de gestão dos sucessivos Conselhos de Administração e dos governos que os nomearam, responsáveis pela situação em que a empresa se encontra, a RTP aumentou as suas horas de emissão em todos os canais; criou os centros regionais (5); montou a RTP África; e tem vindo a renovar-se com a criação de novos estúdios.

9. De referir ainda que cabe à RTP a manutenção dos Centros Regionais dos Açores e da Madeira, com um custo de estrutura de cerca de três milhões de contos/ano, sendo que 70% da sua programação é assegurada pela RTP a custo zero.

9.1. Uma eventual passagem destes Centros Regionais para a alçada dos respectivos Governos Regionais, como parece ser intenção do executivo, implicaria ao erário público um custo acrescido da ordem de mais quatro milhões de contos/ano.

10. Os trabalhadores da RTP entendem que, apesar dos seus problemas, a empresa tem condições de subsistir com os seus canais, bastando para isso que haja vontade política para a sua resolução e definição clara de objectivos de gestão, compatíveis com um Serviço Público de qualidade indispensável ao País.

Por estas razões, apelamos ao Estado para que assuma as suas responsabilidades.
Resolva o problema financeiro da RTP e não confunda rectificações tácticas que sejam consideradas necessárias com alterações estratégicas que se venham a revelar trágicas para o país. E na verdade uma escolha entre a Europa, onde todos os países têm pelo menos dois canais de serviço público, e a América Latina, onde a televisão pública é fraca e o espectro audiovisual está entregue a poderosos privados. Queremos nós pertencer culturalmente à Europa ou à América Latina ? 

 

Junho 02
Agência Lusa

11. A Agência Lusa desempenha um papel de serviço público essencial ao país a vários níveis.

11.1. A agência tem obrigação de estar presente nos PALOP e Timor, nalguns países chave da União Europeia e ter expressão nos países onde se encontram as principais comunidades de emigrantes portugueses. A agência envia noticiário para os PALOP e jornais e rádios das comunidades portuguesas, mantendo uma delegação activa em Timor, na perspectiva da defesa dos interesses do Estado português. Além disso, a Lusa transmite notícias do estrangeiro na perspectiva portuguesa, que frequentemente não é coincidente com a visão das agências internacionais.

11.2. A Lusa, através das notícias enviadas para a comunicação social das comunidades portuguesas no estrangeiro, é factor de coesão e ligação a Portugal dessas comunidades e de difusão da língua portuguesa.

11.3. Nos PALOP, em Timor, na China (em que está integrado Macau), no Brasil, a Lusa é factor de defesa dos interesses nacionais e de reforço da comunidade de países de língua portuguesa.

11.4. Praticamente todos os países, mesmo os países mais pobres, reconhecem a necessidade de ter uma agência que transmita para o estrangeiro a perspectiva nacional e subsidiam essa agência.

11.5. Em Portugal, a Lusa desempenha um papel insubs-tituível na promoção da qualidade noticiosa da imprensa regional e rádios locais a quem fornece noticiário nacional a preços altamente subsidiados. Dado que o subsídio do Estado para este fim é insuficiente, poderemos dizer que a Lusa participa na subsidiação desses órgãos de informação.

11.6. Relativamente à imprensa e rádios de expansão nacional e às televisões, a Lusa acaba por praticar preços subsi-diados. O custo do serviço completo da Lusa equivalerá ao que essas empresas gastam com um ou dois jornalistas seniores, recebendo em contrapartida um completo serviço nacional e inter-nacional.

11.7. Vários jornais têm sobrevivido em grande medida à custa do baixo preço cobrado pela Lusa.

11.8. No plano do direito a informar e a ser informado, independentemente de se poderem pôr algumas dúvidas em relação ao serviço emitido e à selecção dos serviços, a agência salvaguarda, no essencial, um certo pluralísmo.

11.9. Além disso, o estilo próprio das agências nem sempre integralmente respeitado é o de emitirem notícias factuais, sem comentários, o que permite a difusão de noticiário com um maior grau de objectividade. 

 

Junho 02
Comissão de trabalhadores da RDP

A CT da RDP vê com profunda estranheza o penhor do Governo a inte-resses privados que ao longo dos anos têm posto em causa o Serviço Público de Rádio e Televisão - uma estrita competência do estado, que este dever-se-ia empenhar em garantir e não ajudar a denegrir.

E lamentável que se lancem suspeitas sobre a gestão da RDP, empresa que tem resultados líquidos positivos desde 1994, que vive sem qualquer subsídio estatal, cumpre o contrato de concessão do serviço público assinado em 1999, que se renovou tecnologicamente ao melhor nível europeu e que procedeu ao seu emagrecimento sem convulsões internas. Não pode a CI de RDP compreender como é possível falar-se em desperdício, nem como se pode justificar a privatização de qualquer canal da RDP, sem que se ceda a interesses diversos dos da garantia de um serviço diversificado, com cobertura universal, rigor na programação e informação, respeito pelas minorias, qualidade e fiabilidade té-cnica, em suma, sem que se prescinda de um verdadeiro Serviço Público de Radio-difusão. 

 

Maio 02
Nova Revista

Nesta Primavera de 2002 publicou-se o número 1 da revista “Periférica”.

A “Periférica” seria uma revista cultural, se a palavra não andasse tão mal usada.
Assim, é apenas uma revista contracorrente. É mordaz, tem ironia, tem humor, tem o Rui Zink, a Filipa Melo, o Pedro Palma, a Frenesi, o Rentes de Carvalho...

Tem a sua origem em Vilarelho, Trás-os-Montes, e apresenta uma curiosa veleidade : é feita para todo o país.
A mentalidade provinciana de Lisboa, olhando o umbigo como de costume, estranhará a impertinência. “Então, mas agora a paisagem mexe ?”

Vilarelho, que tem em si a circunstância de existir na Serra da Padrela, é, ao mesmo tempo, a metáfora e a confirmação da aldeia global.

A “Periférica” não descrimina os leitores pela origem geográfica, mas não foi feita para provincianos.
Estejam eles nos remansos bucólicos das berças, ou nas esplanadas urbanas do Rossio. Porque a descentralização também se faz com palavras, leia a revista e preencha o cupão de assinaturas disponível em :http://www.periferica.org/

Revista Periférica
Apartado 51
5450-909 Vila Pouca de Aguiar
Tél. : 932016301/ 937536013/ 965261975/ 933466587/ 919142411
Fax : 259416427
E-mail : periferica@aeiou.pt
Site : http://www.periferica.org