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Junho
02
O dez de Junho
e o seu significado
No dia 10 de Junho de 1580 morreu o poeta Luís
Vaz de Camões.
Actualmente este dia é consagrado ao Camões, a Portugal e às
Comunidades Portuguesas. Esta data comemorativa da presente
trilogia foi-se forjando ao longo de várias gerações de
Portugueses, sob o sígno da Língua, da Poesia e da Emigração
que têm, como berço de origem o nosso País.
O dez de Junho, como Dia de Camões e Dia de Portugal começou a
ser comemorado, apenas 300 anos depois da morte do autor de Os Lusíadas,
em 10 de Junho de 1880.
A obra de Camões, sobretudo Os Lusíadas não fora esquecida
pelos Portugueses, ao longo daqueles três séculos após a sua
morte, servindo de “testamento”, nos momentos mais críticos
da nossa história, depois que foram publicados em 1572.
Porém, foram raros aqueles que se foram lembrando do seu autor.
Mas desde o 1° quartel do século XIX, começou a ser recordado
com admiração e entusiasmo, por muitos Portugueses. A partir de
então, tornou-se tema para um quadro do Pintor Domingos Sequeira
; nele se inspirou o compositor musical Domingos Bontempo ; e
alguns liberais como Almeida Garret se viram nele, uns desterrados
quando se refugiaram em Inglaterra e em França, perseguidos pelos
Miguelistas depois do golpe de estado de 9-6-1828 (A
Vila-Francada).
Quanto a Almeida Garret foi na cidade do
Havre e depois em Paris que se inspirou no Luís de Camões para
escrever o grande poema que intitulou “Camões” e que publicou
em 1825, inaugurando com esta publicação o Romantismo em
Portugal.
Depois desta homenagem a Camões, nas Artes e
nas Letras, foram outros Portugueses que naquele século XIX, o
desenterraram das cinzas do esquecimento da memória portuguesa.
Os seus últimos anos de vida passou-os em
negra miséria, numa casa da Calçada de Santa Ana em Lisboa, onde
sobre os seus escombros, foi construída mais tarde, a que hoje
ali existe com o número 139 e onde se vê uma placa colocada em
1867, por iniciativa do seu proprietário de então, Manuel José
Correia e que resumidamente diz que ali vivera Camões segundo a
“tradição documental”.
76 dias antes da perda da independência de
Portugal em 1580, Luís de Camões prevera este triste desastre,
no seu leito de agonia e segundo a lenda que nascera duma carta do
próprio poeta, Almeida Garret tentou reproduzí-la no Poema Camões
da seguinte maneira : “Pátria, ao menos juntos morremos…
Expirou coa Pátria” (Canto X - Est. XXIII).
E depois fora enterrado numa humilde e rasa
sepultura, na igreja do Convento de Santana, na mesma rua da sua
residência. Depois que o terramoto de 1755 destruiu o tecto
daquela igreja, mais ninguém se lembrara de sepultura de Camões
até que, as suas supostas ossadas foram transladadas para o
Mosteiro dos Jerónimos, onde repousam num belo túmulo que
terminou de ser construído, em 1894.
Também em 9-10-1867 foi inaugurada uma estátua
de bronze dedicada ao nosso grande poeta épico, na Praça Cimeira
do Chiado em Lisboa, hoje com o nome de Luís Vaz de Camões.
Nesta série de recordações do Poeta foi
aprovado também no Parlamento, em 10 de Abril de 1880 o projecto
de lei do Deputado Simões Dias, propondo que fosse comemorado no
10 de Junho próximo, o 3° Centenário da morte de Camões e que
este dia fosse feriado nacional.
Assim nasceu o Dia de Camões e o Dia de
Portugal.
Pelas festas do 4° Centenário do seu
nascimento em 1924, deu-se o “início da primeira Festa da Raça”
que doravante deveria celebrar-se anualmente, durante a semana que
precedesse o Dia de Portugal.
Durante o Estado Novo a “Festa da Raça” passou a celebrar-se
no próprio 10 de Junho, passando o Dia de Portugal a designar-se
também “o Dia da Raça”.
Depois da Revolução dos Cravos, O Dia de
Portugal foi no ano de 1977 celebrado no 25 de Abril, na mesma
data das comemorações da Revolução que trouxe a Liberdade e a
Democracia a Portugal. Neste mesmo ano de 1977, o Dia de Camões
passou a designar-se também o Dia das Comunidades Portuguesas.
No ano seguinte, 1978 por vontade do
Presidente da República, General Ramalho Eanes e do Governo
Português, a festa de Portugal passou a celebrar-se de novo no
dia de Camões.
Assim este dia tomou a designação : Dia de
Camões, Dia de Portugal e Dia das Comunidades Portuguesas.
Esta festa passou a basear-se numa outra
ideia de Pátria que assenta mais no conceito do Homem Português
indepentemente do lugar onde ele se encontre, segundo palavras do
antigo Presidente da República e fundamentado também no Camões
Emigrante.
António Cravo
Julho
98
A
comunidade portuguesa em França
Um
percurso ? Uma história
Por
António Cravo
A
primeira geração : os que ficaram
Aqueles
que ficaram são os que mais interesse têm para o nosso trabalho.
São eles o primeiro grande grupo de trabalhadores portugueses, em
França, durante o século XX. É a primeira geração no contexto
desta obra. Isso correspondeu às necessidades demográficas de
França, depois do vazio criado pela mobilização e pelos mortos.
A França ainda durante a guerra abriu as portas a 1.150.000
trabalhadores estrangeiros. (1)
«Sabe-se
que alguns militares depois de desmobilizados constituiram família
em França e lá ficaram a trabalhar, mas não possuímos
quaisquer dados numéricos nem outros sobre eles».(2)
Infelizmente
não nos é possível revelar números exactos dos combatentes que
se fizeram emigrantes. Sabemos, contudo que dos 56.493 elementos
de todo o Contingente Português, morreram 2.091 ; que
desembarcaram em Lisboa depois do Armistício, 49.758, oficiais e
praças, exceptuando os que já se encontravam em Portugal no gozo
de licença.
Retirando
ao número do Contigente os que morreram em França os que
desembarcaram em Lisboa, vemos uma diferença de 4.644.
Isto
leva-nos a concluir que os soldados-emigrantes deveriam andar pela
ordem daquele número:
Contingente:
56.493
Mortos:
2.091
Regressados:
49.758
Emigrantes:
4.644
Por
outro lado, muitos dos que desembarcaram em Lisboa, regressaram de
novo a França já como emigrantes, influenciando outros vizinhos
também a partir.
Assim,
no período de 10 anos de 1911 a 1921 verifica-se um grande
aumento de emigrantes em França.
Ano
Emigrantes
1911
1.300
1918
4.644
1921
10.800
O
primeiro salto transpirenaico verifaca-se porém, após o termo da
guerra 1914-1918. (3)
A
segunda geração
Por
volta dos anos 30 - A crise Económica de 1929 em França.
No
final da década 20, nasceu nos Estados Unidos da América a
primeira crise económica deste século, designada pela crise de
1929. Os seus efeitos fizeram-se sentir também na Europa e
consequentemente em França.
Nos
anos vinte, este país estava em plena reconstrução dos efeitos
da I Grande Guerra. Conheceu por conseguinte uma grande expansão
económica. Isso fez atrair
a mão-de-obra estrangeira, como havíamos visto, numa linha
progressiva até 1931, que podemos confirmar com o seguinte quadro
:
Anos
Estrangeiros
1921
1.532.000
1926
2.409.000
1931
2.715.000
1936
2.198.000
Fonte
: Annuaire statistique de France
Foi
em 1931 que o choque da crise económica de 1929, se fez sentir em
França, onde havia já uma percentagem de população estrangeira
de 7% da população total. (4)
Aquele
reflexo fez diminuir a população activa cerca de 250.000 ou seja
de 5,5% do total entre 1931 e 1936.
Quanto
à emigração portuguesa devemos notar que desde a desmobilização
dos soldados portugueses e por influência destes, ela não cessou
de aumentar até 1931. Mas os emigrantes que apareceram em grande
escala no princípio da década trinta, pertenciam já a outra
geração mais jovem que a dos soldados emigrantes. E observamos
que foi naquela década que os portugueses atingiram o seu maior número
em França, encontrando-se uma diferença a menos de 20.700 desde
1931 a 1936.
Por
isso chamamos a estes emigrantes a 2a. Geração.
Anos
Portugueses
1921
:
10.800
1926
:
28.900
1931
:
49.000
1936
:
28.300
Fonte
: Joël Serrão Ob.Cit.
1)
In La scolarisation cit
2)
Ofício cit
3)
Joël Serrão in A Emigração Portuguesa, colecção Horizonte 12
- 2a. ed. 1974
4)
Albano Cordeiro in Pourquoi l'immagration en France - Créteil
1981
Geração
: pelos anos 60
A
partir de 1936, a população imigrante foi diminuindo em França
como vimos anteriormente e assim continuou até 1946.
Depois
da II Guerra Mundial, de novo se acelararam as economias dos países
industrializados. Não cessaram de crescer até à nova crise económica
de 1973.
A
França encontrava-se no contexto daquele progresso, com a ajuda
dos investimentos massivos dos Norte-Americanos. Por isso, « em
1946 criou o Comissário do Plano de Modernização e de
Equipamento, a fim de controlar e desenvolver a ajuda de Capitais
e de Tecnologia que os Estados Unidos da América lhe ofereceram
ao terminar a Guerra « (Jesus C. Sanz Benito in Introducción A
La Emigración Espanhola, Francia).
No
periodo após-Guerra, a economia francesa conheceu taxas de
crescimento na ordem de 6% em média (Albano Cordeiro ob.Cit.).
Este crescimento levou a França abrir as fronteiras à mão-de-obra
mais barata do que aquela que podia recrutar, no seu território.
Por
essa razão viu-se um aumento da população estrangeira na ordem
de 22.000 indivíduos de 1946 a 1954 (Annuaire Statistique de
France) e continuou a aumentar até 1974.
Estas
são as causas gerais francesas que aliciaram também tantos
Portugueses a Emigrar par este País.
Do
lado português houve diversas causas que os levaram a emigrar
para França :
1/
As demográficas, pois em 1960 tínhamos atingido o maior número
de habitantes em Portugal 8.889.392, uma densidade demográfica de
100h/Km2. Em 1930 era apenas de 76h/Km2. (Mário Bacalhau...).
2/
As económicas : no limiar dos anos sessenta Portugal vivia ainda
essencialmente da agricultura, sujeita aos caprichos do clima e de
técnicas artesanais e tradicionais que o abrigava o homem do
campo a trabalhar um ano inteiro e não «passava da cepa torta»
como diziam ; isto é, não ganhava o suficiente para sobreviver.
Acrescentavam-se a estas causas, ainda as causas políticas, as da
Guerra colonial ; e outras segundárias.
Assim,
se desencadeou uma emigração espontânea e quase toda
clandestina dos portugueses para França e para outros países da
Europa, que lhe chamamos dentro do nosso esquema a 3a. Geração
ou emigração que segundo as estatísticas « du Ministère de
l’Intérieur « atingiu o seu maior número de indivíduos no
ano de 1976, com 882.541 portugueses em França, onde estão incluídos
os que vieram pelo princípio do reagrupamento familiar que nos
vai permitir salientar outro tipo de emigrantes a 4a. Geração ou
Emigração Indirecta.
Geração
ou a emigração indirecta
Depois
da II Guerra Mundial as fronteiras portuguesas estavam fechadas
quase para todos os portugueses, especialmente para os de fracos
rendimentos de subsistência ; Por isso, os diminuídos
economicamente não podiam sair do País, excepto, os casos da
emigração para a América e para África de que já falámos.
Nos outros casos, para transporem as fronteiras tinham
dificuldades em obter o passaporte. Perante tais dificuldades os
portugueses, especialmente das zonas rurais num primeiro tempo
(1960-1968) vieram com o « passaporte de coelho « isto é,
clandestinamente como dissemos.
Quando
Marcelo Caetano passou a ser Presidente do Conselho de Ministros
em 1968, por incapacidade de saúde de Salazar, pouco tempo depois
começou a abrir as fronteiras e a regularizar melhor a emigração
e evoluindo também para o chamado Regrupamento Familiar, em
acordo com a política francesa. Este reagrupamento familiar
(destinado aos cônjuges, filhos, ascendentes e colatrais do
emigrante) começou por ser também clandestino cujos números
foram aumentando durante a década sessenta atingindo em 1969 o
valor máximo do que se conhece, que era de 8.568 familiares dos
imigrantes portugueses (segundo o quadro 34 dos Serviços de
Programação e Apoio às Comunidades).
Quando
ao número de familiares autorizados a juntarem-se ao imigrante, o
seu maior número deu-se em 1970 com 47.033 indivíduos (segundo o
quadro n°32 da Secretaria de Estado da Emigração Portuguesa).
Depois esse reagrupamento foi diminuindo até 1980 onde se
contaram, nos primeiros 10 meses, apenas 3.979 familiares. Assim e
segundo o « Ministère Intérieur « no recenseamento de 1975, as
crianças portuguesas com menos de 16 anos atingiam um n° de
260.200.
Chamamos
aos portugueses e portuguesas que por relações familiares,
vieram para França, clandestina ou oficialmente, a Emigração
Indirecta ou uma quarta geração, que vulgarmente era conhecida
por 2a. Geração.
Hoje
as circunstâncias e a moda fizeram com que se chamassem
Lusodescendentes, aos Filhos dos Primo-migrantes portugueses.
Aqui
temos as diversas emigrações dos Portugueses em França neste século
até 1986.
Depois
de termos visto estes rumos dos Portugueses para França, vamos
evocar também resumidamente a sua estabelização através do
Movimento Associativo.
O
movimento Associativo das duas últimas gerações
Não
vamos falar donde vieram estas Gerações. Não vamos dizer onde
se fixaram ; Nem tão pouco falar do Terceiro Homem, como o
engajador, o « arranja-papéis « ; nem o modo de acolhimento por
parte da Sociedade Francesa ; nem da Exploração, nem do Trabalho
Clandestino ou Temporário ; nem tão-pouco das Consequências
Psicoconfrontacionais ; etc.
Vamos
sobretudo falar da evolução do Movimento Associativo ; e da
Transformação da Vida Associativa, porque nos pareceu terem-se
desenhado duas épocas essenciais nesta estabelização dos
Portugueses em França : A Época Associativa até 1986 ; e depois
desta data a Época da Europeização.
A
época associativa (1960 - 1986)
Chamamos
época associativa, a um período de tempo, perto de 30 anos, em
que o fio condutor e o de maior ligação entre os Portugueses foi
o da institucionalização das suas associações, o da estruturação
das mesmas e a vida associativa que praticaram nelas, uns com os
outros, duma maneira quase homogénea e monolítica.
Durante
a Época Associativa, houve algumas diferenças durante uma certa
mutação evolutiva e regressiva, especialmente na forma da
estruturação e na base da institucionalização cujas características
nos permitem subdividir aquela época associativa em tempos e
fases.
Fase
(1980 - 1986)
Neste
momento a «emigração portuguesa entra numa fase de maior
estabilidade, voltando-se para uma maior inserção» segundo
Manuel Vaz Dias.
Nós
chamar-lhe-emos uma fase realista do Movimento Associativo.
O
mito do regresso vai-se desvanecendo à medida que os
primo-migrantes envelhecem.
Até
esta data, dos milhares e milhares que vieram para França, apenas
300 mil voltaram às suas terras de origem durante os 10 últimos
anos. Por isso, se diz que 70% dos imigrantes se mantiveram neste
País durante aquele período.
Na
fase precedente o imigrante redescobriu a sua cultura e
transplantou-a para a Emigração. Na fase presente, voltou-se
para a Sociedade de Acolhimento e dá-se a conhecer ao mesmo tempo
que vai descobrindo os valores culturais desta Sociedade.
Depois
de 1980, quase não se constituíram associações de carácter
aldeão. A reorganização da aldeia chegou ao seu termo. O
entusiasmo que as associações tiveram na fase anterior, para a
implantação do Ensino do Português em França foi-se
amortecendo. Os Pais quase todos perderam a coragem da sua
anterior mobilização, perante as dificuldades que começaram a
surgir na abertura de cursos e na escolha do Português, como Língua
Viva I.
O
Movimento Associativo começou a estruturar-se noutros moldes.
Nasceu o inter-
-associativismo
regionalista. Nesta altura o Movimento Associativo pôs de lado a
ideia e a prática das Federações, a nível nacional francês e
voltou-se para o agrupamento da mesma área departamental regional
ou consular que foram tomando as designações de
Inter-associativas, Comissões de Áreas-Consulares ou Federações
departamentais, etc. Esta nova estrutura começou no Departamento
de Loiret, pela Comissão Inter-Associativa. Seguiram-se depois
outras como por exemplo a Associação Cordenadora das Associações
Portuguesas do Departamento 77, (a ACAP/77), etc. Esta estruturação
passou a ser representada, democráticamente num órgão central e
interlocutor directo do Governo Português, a nível nacional e
internacional pelo Conselho das Comunidades, como órgão de
consulta. Era composto de membros natos, de membros eleitos e de
membros nomeados pelo presidente. Eram membros eleitos do
Conselho, os representantes das diversas Comunidades de
Portugueses espalhados pelo Mundo. O Presidente do Conselho das
Comunidades era por direito próprio, o então Secretário de
Estado da Emigração. (Decreto-Lei n°316/80, de 20 de Agosto).
Entrou-se
numa fase em que a Emigração em França tomou mais consciência
da sua realidade social e da cultura da Sociedade de Acolhimento e
das outras etnias imigrantes.
Para
esta tomada de consciência concorreram vários factores tais como
: uma evolução no associativismo francês para com o português
; uma real visão dos problemas do associativismo português por
parte dos primo-migrantes mais jovens e de movimentos sindicais
portugueses em França (como o dos Professores e o dos
Trabalhadores consulares) ; uma promoção social e económica da
mulher emigrante ; uma diferente forma, dos Filhos dos emigrantes
sentirem a Emigração ; e também uma visível evolução da
Igreja Portuguesa e das suas Comunidades Imigrantes.
Até
aos anos setenta, as associações francesas, descobriram os
imigrantes numa atitudehumanista e paternalista, por exemplo a
FASTI (Federação das Associações de Solidariedade com os
Trabalhadores Imigrados) criada em 1966. Nasceu uma certa amizade
mútua e a seguir veio o interesse pela parte dos Franceses de
descobrir a cultura dos imigrantes, conhecê-la e evocá-la,
criando-se algumas associações com esse objectivo. Temos o
exemplo da Inter-Service-Migrants criada em 1970.
A
partir de 1975, as associações francesas começaram a trabalhar
numa colaboração em comum, cedendo algumas responsabilidades do
seu movimento e poder aos trabalhadores imigrantes ; apoiando-nos
nas suas reivindicações sociais ; e solidarizando-se com eles,
na defesa dos seus direitos e na sua recreatividade.
Outro
aspecto importante na evolução do Associativismo Francês, foi
ter tomado a iniciativa de formar militantes das associações
estrangeiras. Neste caso temos o exemplo da ARAME (Association de
Reflexion et de Rencontres avec les Migrants Etrangers) criada em
Janeiro de 1979.
Assim
esta aproximação com as associações francesas, o contacto com
as das outras etnias e a influência da Revolução de Portugal, vão
modificar os comportamentos associativos, embora lenta e
progressivamente.
Adquiriu-se
também uma tomada de consciência determinante de que as minorias
também têm algo a dar às maiorias e neste caso concreto, à
Sociedade Acolhedora. É nesta reciprocidade que o Movimento
Associativo Português entende a aculturação. Com este espírito
de reciprocidade e de abertura do nosso Associativismo, começou a
criar-se um novo tipo de Associações, chamadas
Franco-Portuguesas ou Luso-Francesas.
Embora
tivesse havido algumas tentativas antes de 1980, mas foi somente a
partir desta data que o Movimento Associativo desenvolveu mais a
criação destas Associações, como por exemplo a «Amitié
Franco-Portugaise de Montgeron», a «Association France-Portugal
de Romagnat», etc. Em 1981 já se contavam 32 associações deste
tipo, em 1982 já existiam 54 associações Franco-Portuguesas,
espalhadas por mais de 16 departamentos.
O
contexto político francês, depois de 11 de Maio de 1981, vai
também favorecer esta segunda fase do Movimento Associativo.
Permitiu-lhe uma maior liberdade com à alargamento legal de uso
dos direitos associativos dos estrangeiros em França, através da
lei votada em 29 de Setembro de 1981, que veio a ter o número
81-909 de 9/10/1981. Esta lei revogou o título IV da lei de 1 de
Julho de 1901, relativamente às associações estrangeiras e
acabou com um regime de excepção imposto, pelo decreto-lei de
12/04/1939.
Antigamente,
ainda que a documentação estivesse conforme à lei, a oficialização
não era absolutamente segura. A partir de 1981, desde que o
processo fosse formalmente bem organizado, a associação era
sempre oficializada e dentro do tempo máximo de um mês.
Esta
flexibilidade da lei francesa, permitiu uma multiplicação enorme
das associações portuguesas. Assim em 1981, haviam 624 em plena
actividade ; três anos depois já se registavam 929, embora 83 se
encontrassem inactivas.
Em
27 de Março de 1984 só se encontravam cinco departamentos sem
associações portuguesas como por exemplo Vendée (085), embora
neles houvesse portugueses. Ao longo desta Época Associativa, nas
suas diversas fases e tempos, viram-se implicados muitos
portugueses, directa ou indirectamente e algumas instituições
como a própria Igreja.
A
partir de 1981, também as Rádios locais passaram a ser livres,
tornando-se muitas delas oficiais que permitiram criar elos de
ligação, entre as diversas etnias estrangeiras e a Sociedade
Francesa e particularmente, entre os imigrantes da mesma
Comunidade como por exemplo a Portuguesa.
As
Rádios Livres Portuguesas como Portugal no Mundo, a Eglantine ou
o Rádio Clube Português, foram também uma extensão das
actividades das associações, dentro do seu espírito realista e
da abertura que caracterizavam as desta segunda fase do Movimento
Associativo.
A
partir da década 80, começa a observar-se na Vida do
Associativismo Português uma transformação.
A
transformação da Vida Associativa
Na
fase principiante do Movimento Associativo existia, apenas, um núcleo
gerador. Mas à medida que se desenvolvia numa dinâmica
crescente, foram-se distinguindo três componentes fundamentais :
a institucionalização, a estruturação e a vida associativa
propriamente dito.
Por
Vida Associativa compreendemos todo o conjunto de actividades
comuns que se foram realizando, na maior parte das associações
portuguesas, incluindo a personalidade dos associados e dos
dirigentes ; os espaços recreativos ; o tipo de animação ; o
financiamento das mesmas e das entradas para os espectáculos ; a
mobilização, e a natureza das actividades.
A
natureza das actividades já temos vindo anunciá-las, mas podemos
ainda classificá-las em dois grandes grupos : as do grupo
recreativo ; e as do grupo cultural. No grupo recreativo podemos
incluir o futebol, o folclore, as festas populares etc. ; no grupo
cultural incluímos as excursões, as exposições de Arte pictórica
e escultórica, o teatro, o cinema, a informação, o ensino de
português os trabalhos literários, as bibliotecas, etc.
Todavia
destas actividades, as que tiveram maior importância na vida
associativa foi a do folclore, do desporto, do Teatro, do Ensino e
de alguma maneira a Arte. Contudo, no meio da década oitenta,
esta vida associativa começa a dar sinais duma transformação.
No
princípio do movimento, a vida associativa começou numa pequena
extensão, mas com forte e viva expressão. A extensão foi
crescendo, ampliando-se e criando espaços mais largos. A expressão
acompanhou-a na mesma dinâmica de crescimento, preenchendo
plenamente os espaços do desejo da recreação e culturação que
sempre exigiu. Os dois princípios criaram um corpo solidificado,
numa propensão convergente na reivindicação do Ensino do
Português. As ideologias paralelas da estrutura do seu primeiro
tempo da primeira fase do Movimento Associativo, encontraram-se
depois de 1974, pelo menos, no cruzamento das necessidades comuns
do ensino da sua língua, para os filhos dos primo-migrantes,
respirando irmamente a liberdade do 25 de Abril.
Por
isso, no último tempo da primeira fase associativista, as ideias
religiosas e políticas ; as sensibilidades folcloristas e
culturais reuniram-se no mesmo objectivo linguístico,
constituindo o único ponto onde todos os Emigrantes Portugueses
se encontravam, no meio da efervescência revolucionária depois
daquela data.
A
luta pela implantação do Português nas Escolas Francesas ou nas
Associações, consideramo-la uma acção associativista, ao nível
duma consciência de Comunidade, do fragmento dum Povo fora das
suas fronteiras, transformado em pequena Nação, no sentido
Central do termo que rebuscou, nas suas recordações o ela da
sobrevivência, enquanto gente, encadeadas pela sua Língua como
factor centralizador das expressões regionalistas, donde os
Emigrantes eram originários.
O
tempo foi correndo, provocando evoluções e transformações.
Assim, houve evolução legal na institucionalização, começando
pela lei francesa de 1901 até à lei 1981 e chegando ao
institucionalismo nacional português e internacional das
Comunidades Portuguesas no Mundo através do Decreto-Lei n°316/80
de 20/8. Houve evolução na estrutura do Movimento Associativo até
ao Inter-associativismo passando depois às associações
franco-portuguesas, numa abertura de intercâmbios, com a
Sociedade Acolhedora e com outras Comunidades estrangeiras.
E
houve também evolução na vida associativa que passou, dum
colorido folclorista sensível e instintivo, à transparência
racionalista e cultural.
Contudo
na marcha do M. A. começou a notar-se na década oitenta, uma
tendência à transformação da Vida Ass., tal como era sentida,
pela maior parte dos Portugueses, desde o seu início, devido a
alguns factores um pouco diversos.
Os
agentes desta componente encontraram-se divididos pela idade e
pelos gostos. Uns optaram mais pelas actividades recreativas : as
que haviam transplantado. Os outros pelas actividades culturais,
as que tinham criado. Factores urbanos e cosmopolitas quebraram a
homogeneidade da Comunidade do tempo áureo de expressão
associativista. As pressões transparentes etnocentristas
realizaram progressivamente os seus efeitos, quebrando a unidade
de luta pela preservância linguística que era o factor
essencial, da maior mobilização que houve em quase todo o
Movimento.
As
estradas continuaram abertas ; os carros continuaram em marcha ;
mas os condutores tiveram outra exigência, outra capacidade e
outra preparação, outra idade para a condução.
Nesta
transformação, o M. A. especialmente através da componente Vida
Associativa, tem vindo a caminho das dimensões de outros valores
culturais e artísticos e mesmo linguísticos na direcção dum
polo magnetizador e transformador que se chama integração.
Nestas
etapas de nascimento, crescimento e transformação do
Associativa, parece-nos que a sua permanência e duração residirão
no património cultural que a Vida Associativa transplantou
recriou e criou, ao longo das suas metamorfoses naturais, enquanto
se souber e quiser assumir.
Nesta
transformação, o que se tornou mais evidente foi a passagem duma
Comunidade homogénea para uma Comunidade heterogénea e que, por
outras razões, nos pareceu esboçar-se uma nova época no
Movimento Associativo que chegámos já a classificá-lo, de Época
da Europeização.
A
Época da Europeização
Os
Portugueses no Zénith em Paris (11/5/1986)
Voltando
a lembrar o princípio da socialização dos Portugueses, tivemos
ocasião de observar que o Emigrante se encontrou decantado no
fundo duma garrafa social e que foi deste ponto morto, ou ponto
zero que partiu para a dinâmica do seu Associativismo.
Assim,
a maior parte dos Portugueses que vieram nas décadas sessenta e
setenta começou a gravitar à volta dum embrião social que pouco
a pouco foi empurrado para uma classe social como já vimos
caracterizada pela precariedade do alojamento ; pela natureza
comum do traba-lho e pela falta prévia duma formação
profissional ou de qualificação laboral. Foram os tempos do
miserabilísmo como têm afirmado os preconceitos. Todavia, eram
os tempos da homogeneidade recreativa, social e económica, como
dizem os do Bom Senso.
Entretanto,
outros Portugueses foram chegando a França por razões diferentes
daqueles primeiros : como as razões diferentes daqueles primeiros
: como as razões oficiosas ou oficiais e razões económicas e
financeiras de acompanhamento, e outras.
Nesta
gestação social portuguesa em França, dois caminhos paralelos
se foram abrindo : um o da cultura popular, agitando-se e
reagitando-se à volta de estruturas associativas criadas pelos
Emigrantes Portugueses, neste país, «que é também a expressão
daquilo que nós somos, como Povo. Aquilo que afinal é cada um de
nós».
O
outro caminho é o da outra componente que tem passado ao lado
paralelamente, olhando furtivamente para o grosso daquela coluna
de emigrantes, dentro dum preconceito de «subproduto cultural»,
duma classe social julgada inferiormente diferente. Alguém nos
dizia há pouco tempo que «quando cheguei, não quis entrar no
ghetto».
Depois
que regressaram a Portugal após a Revolução dos Cravos, muitos
dos refugiados políticos e desertores da guerra Colonial que
vieram num tempo heróico e ocuparam diversas posições políticas
e administrativas da nova época histórica no nosso País, os que
ficaram, todos ficaram menos heróicos, nalguns conceitos, mas
maiores agentes ainda da cultura popular com os que a trouxeram
nas «malas de cartão».
Isto
acentuava ainda mais, o paralelismo daqueles dois caminhos.
Contudo,
nas comemorações do 15° aniversário da implantação em França
da Companhia de Seguros Império, em 11 de Maio de 1986, deu-se um
acontecimento, para além desta comemoração, que julgamos também
muito importante. Quando mais de 6.000 Portugueses com estatutos
sociais que durante cinco horas esteve presente no Zénith,
alegrou-se-nos a alma porque podemos ver, pela primeira vez, na
Comunidade Portuguesa em França uma multidão de gente num dos
mais prestigiosos espaços culturais de Paris, a união do económico
e do cultural tão espectacularmente, numa diversidade de opiniões
e formas, de se estar em França dos Portugueses. Este fenómeno
deveu-se ainda à força das Rádios Livres ou Locais dos
Portugueses, uma nova expressão do nosso Associativismo e
personalizado pelos nossos jovens mais conscientes, como os que
trabalhavam na Rádio Eglantine, Portugal no Mundo, G.Voz
Portuguesa de Bondy, C.M.S. de Creil e Clube Português, todas da
Região Parisiense.
É
que entretanto, tinha nascido também outro factor, muito
importante que foi a entrada de Portugal na CEE, no princípio
deste mesmo ano de 1986.
Aquele
fenómeno do Zénith, pôs também em evidência, novos tempos, os
tempos em que começava a nascer a heterogeneidade da Comunidade
Portuguesa, tornando-se mais visível à transformação de que
falamos anteriormente.
Porém,
para melhor compreendermos ainda esta transformação da Vida
Associativa em especial e da comunidade em geral, não resisto em
evocar outro novo acontecimento que se deu no Outono, ainda do ano
de 1986 que se chama «La Valise en Carton».
«La
Valise en Carton» (Outubro 1986)
Foi
um espectáculo que esteve nesta temporada, no Casino de Paris,
com aquele título. Este acontecimento acentuou-se mais pelos
efeitos negativos que teve e demonstrou, por isso, a realidade dos
novos tempos que passámos a intitular em diversos artigos, por Época
da Europeização e que no seu primeiro tempo, chegamos a designá-lo
: O Tempo da Rejeição.
No
limiar desta Época da Europeização generalizou-se um sentimento
de rejeição contra os emigrantes em Portugal, principalmente
contra os da Europa, inclusivamente, até começaram a rejeitar as
suas divisas no momento em que já entravam os dinheiros da CEE.
Em França, dentro da própria Comunidade desenvolveu-se também
um estado de espírito pelo que muitos portugueses rejeitavam o
passado, em que dominou a cultura «du village». Foi uma rejeição
gradual inversante às categorias de idade ou progressivamente aos
«clubes económicos» que começaram a nascer também no ano de
1986.
Por
isso, o espectáculo «La valise en Carton» foi também
rejeitado. O espectáculo foi um fracasso na opinião de muita
gente. A protagonista principal era a Linda de Suza, como se sabe
que de êxito em êxito ali pôde chegar como o escreveu Françoise
Dorin : «Il était une fois une Cendrillon portugaise qui ...
passe de longues années à manier sucessivement les serpillères
et les torchons dans son pays, puis les plumeaux et les balais
dans le nôtre... un jour, elle sortit de la valise en carton
...des chansons de son Portugal natal...».
A
intérprete do espectáculo foi uma imigrante de transição.
Trouxe ainda dentro da sua mala o espírito português da aventura
; a clandestinidade do «salto» ; as peripécias das fronteiras ;
e também a coragem e vontade de vencer. Mas trouxe ainda a
juventude e a elegância da mu-lher portuguesa e a beleza duma voz
natural da Canção. Com o seu talento mais natural que formativo,
cedo se tornou alvo de empresas da canção, com máquinas
comerciais bem montadas que a conseguiram lançar na Comunidade
Francesa, retiranto-a da carreira associativa portuguesa, onde
dera os seus primeiros passos ; onde o seu primeiro disco calou
fundo nas almas portuguesas que o ouviram e o seu sucesso perante
a Comunidade, subiu de disco em disco e culminou no Olympia de
Paris, em Janeiro de 1983. Nesta época, com a nossa compatriota
naquela sala de tão grandes tradições artísticas e variedades
era toda uma geração de emigrantes portugueses que triunfava e
que ali, em peso, a aplaudiram de alma e coração. Ela era a
continuidade do contexto de outras obras publicadas por emigrantes
come as «Histórias Dramáticas da Emigração» de Waldemar
Monteiro, por exemplo.
Mas
a máquina comercial de que falávamos, fez duma emigrante
portuguesa, sem muita experiência, uma vedeta da canção em
pouco tempo que quís fazer dela também vedeta do cinema e agora
com «La Valise en Carton», vedeta do teatro ou do Espectáculo
de Variedades.
Já
nos parecia o Fidalgo Aprendiz de Francisco Manuel de Melo do século
XVII, pelas diversas escolas francesas que lhe puseram à disposição.
A mesma máquina queria fazer de «un être humain» em meia dúzia
de meses o que se faz numa meia-vida ou numa vida inteira. Mas
esqueceu-se que entre o Olympia de 1983 até ao Casino de 1986,
muitas cisas mudaram e os espíritos portugueses também evoluíram
sobretudo os da Emigração de Tradição e a nova concepção
sobre a emigração duma 2a Geração, agora mais urbana que a dos
seus pais.
Então
aquela rejeição de «La Valise en Carton» pelos Portugueses,
deu-se devido a três sensibilidades distintas.
A
primeira sensibilidade, foi a dum público que mais se
identificava com o tema e com a protagonista, mas tinha ficado
desiludido e bastante chocado, com a forma publicada dos seus
conflitos familiares quer no seu livro homónimo quer no programa
da TF1 que deu em cima do espectáculo, com Patrick Sabatier.
Tanto
o animador como ela, não se aperceberam que o tema que
desenvolveram não era comum às duas Culturas, Francesa e
Portuguesa. Por isso, esta sensibilidade portuguesa que esteve bem
ancorada no Olympia 83,
rejeitou por aquela razão, o Casino / 86.
Por
outro lado, a sensibilidade dos emigrantes de transição e que são
os de maior promoção económica entre os Portugueses em França,
embora se identificassem com a sua língua materna, rejeitavam
contudo, todas as expressões que pudessem avivar um passado
realista, mas conotado de miserabilista. São cartões que não
querem mais ver, nem deles ouvir falar.
Finalmente,
a sensibilidade dos mais jovens portugueses em França, mais
urbanista que rural, rejeitaram, por seu turno, embora duma
maneira gradual etariamente, o tema, a música e a sua intérprete
consoante a forma natural ou radical da sua inserção na
Sociedade Francesa.
Estas
três sensibilidades conjugavam-se com os novos tempos que
mostravam também uma descoberta, de alguns valores portugueses
que não só o trabalho, já noutro contexto, para além das
associações Franco-Portuguesas.
A
Associação “Cap-Magellan”
A
“Cap Magellan” é também uma associação com base na lei
francesa de 1901 e as outras leis subsequentes de que já falámos.
Foi criada em 24 de Novembro de 1991, a partir de um grupo de 20
rapazes e raparigas estudantes universitários de conotação económica
ou seus afins. Inicialmente, pretendiam que fosse um clube fechado
a uma elite de jovens, mas os que de perto acompanharam a vida
associativa por eles próprios ou por intermédio dos seus pais,
acabaram por tornar a associação aberta, a membros de todas as
origens sociais confundidas.
O
seu objectivo principal “era preciso mudar a imagem dos
Emigrantes em França e em Portugal”.
Através
daquela vontade de mudança, diríamos de transformação, as suas
actividades têm surpreendido a Comunidade e obrigado os
observadores sociólogos a deterem sobre estes jovens, uma fina
atenção. Alguns artigos já foram escritos, incluindo um dos
nossos e o jovem Jorge de la Barre acaba de publicar o livro
“Jeunes d’Origine Portugaise en Association - On est européen
sans le savoir”, no ano de 1997 e pelas Edições de
l’Harmattan - Paris, cujo tema central é a acção e a composição
desta Associação de Lusodescendentes.
A
internacionalização da economia portuguesa, a política de
integração francesa e a teoria da cidadania europeia são
realidades sociais e económicas e vontades políticas que
determinaram a queda do monolitismo associativo e que desde a 2a.
fase, deste Movimento começou a dar os primeiros sinais da sua
transformação.
Em
1982, em plena 2a. fase do Movimento Associativo, tinha já sido
criada, por uma vintena de militantes dos mais novos -
primo-migrantes, uma associação muito especial, designada
“Colectivo de Estudos e Dinamização da Emigração
Portuguesa” que incluíra no seu programa “criar meios de
inserção social com a aceitação completa das origens culturais
da Comunidade portuguesa na Sociedade Francesa”.
Entretanto,
já se havia desenhado também no espírito da Comunidade, uma
perspectiva europeia dos Portugueses em França, na primeira reunião
do primeiro Conselho das Comunidades, em Abril de 1981, incluindo
nos seus debates o tema “integração Europeia”. A ideia de
inserção social passou para o termo da integração que resultou
duma vontade política francesa também desde 1986 e que foi
ganhando terreno, na gente nova da nossa Comunidade. Esta data
coincidiu com a entrada de Portugal na CEE e a tal “Integração
Europeia” efectivava os seus primeiros passos. Mesmo na designação
dos Portugueses em França, também passaram a chamar-lhe
“Portugueses Residentes no Estrangeiro” ou “Cidadãos da
Europa”.
Porém,
a ideia tem continuado a evoluir e veremos que, nos Estados Gerais
dos Portugueses na “Grande Arche de la Défense” em 1993, um
dos temas do debate foi “Portugueses de França Cidadãos
Europeus”. à integração social, à cidadania europeia e à
promoção económica dos portugueses, acrescentou-se ainda a nova
designação dos jovens que passaram a chamar-lhes os
lusodescendentes.
Esta
nova designação dos Filhos e agora já netos dos primo-migrantes
tem a ver também, com a dupla nacionalidade, oficializada pelo
Estado Português.
Por
isso, esta lusodescendência tem sido alvo de atenções pela
parte do Governo português, dentro da sua perspectiva política
da internacionalização económica do nosso País, em ligação
com a organização dos núcleos empresariais da cada região,
como por exemplo o NERA no Algarve ou NERBA de Bragança e associações
de outras zonas de Portugal, coordenada pela Confederação das
Associações Empresariais Regionais, a CAER, criada em
16/01/1991, que incluiu também como membro da ANJE (Associação
Nacional de Jovens Empresários). Também na Comunidade Portuguesa
em França, à semelhança de outras espalhadas pelo mundo,
concebidas como Regiões, a partir de Lisboa, nasceram associações
empresariais, como tivemos ocasião de falar. Parecem-se com os
NER’S que se criaram em Portugal durante a década 80.
Tal
como a CAER, em relação à Associações Empresariais do nosso
país também à confederação mundial dos Empresários das
Comunidades Portuguesas, com sede em Lisboa, criada um ano depois,
tem por objectivo, coordenar os clubes e as associações dos
empresários portugueses criadas nos diversos países, para onde
emigraram, incluindo a França, como já foi abordada esta questão.
Nesta
perspectiva, o Ministério dos Negócios Estrangeiros
configurava-se como uma verdadeira “Multinacional”, através
das suas “delegações” ou a rede Diplomática e Consular
existente, segundo informações do Secretário do Estado das
Comunidades Portuguesas, de então, na sua primeira mensagem aos
empresários das Comunidades (1a. Newletter da C.M.E.C.P.).
Para
além da Associação Nacional de Jovens empresários, a ANJE que
promoveu o 1°. Congresso dos Jovens Empresários Lusófonos no
Estoril, em Março de 1995, já havia sido criado em Portugal o
programa JEEP (Jovens Empresários de Elevado Potencial) que tem
tido como objectivo, descobrir jovens vocacionados para o exercício
da função de empresários. Já tinham sido realizadas 8 edições
em Portugal, quando em 19/09/1994, se realizou a primeira na
Comunidade Portuguesa em França.
Nesta
edição, dentro das diversas intervenções que se realizaram,
afirmou o deputado do PSD, Carlos Oliveira que “este é o
momento histórico para se concentrar na Juventude a Política do
Estado Português, em relação às Comunidades Portuguesas”.
Assim,
se observa que também estes Lusodescendentes se encontram no
ponto de mira, da dita internacionalização da economia
portuguesa, como futuros especialistas e técnicos desta matéria.
Foi
neste sentido que vimos a Associação “Cap-Magellan” fazer
parte dos 143 membros do “Clube dos Empresários Portugueses em
França” (CEPEF) ; e o presidente desta associação de
Lusodescendentes participar no Seminário de 7 a 9 de Novembro de
1994, em Lisboa, da confederação Mundial dos Empresários das
Comunidades Portuguesas, com o tema : A
Acção das Comunidades Portuguesas na Economia Global.
Esteve também presente, nos dias 9 a 11 de Março de 1995 no
Hotel-Estoril em Lisboa, durante o 1°. Congresso dos Jovens
Empresários Lusófonos (ANGE).
Segundo
informações daquele mesmo deputado do PSD, o Orçamento da
Secretaria de Estado da Juventude consagrou para o ano de 1995,
uma verba de 20 mil contos reservada ao apoio do associativismo
jovem nas próprias Comunidades. Afirmou-se na mesma notícia que
a prestigiada associação de jovens “Cap-Magellan” sediada em
Paris, irá beneficiar de um Centro inforjovem apoiado pelo
Governo.
Por
isso, achamos legítimo termos afirmado em 07/04/1995 o seguinte :
Dentro
deste espírito e vontade e numa teia estrutural, os jovens da
“Cap-Magellan estarão a ser recuperados ou impulsionados pelas
forças centríptas económicas e políticas portuguesas ? E pelas
circunstâncias que acabamos de expor, podemos concluir que a
Associação destes Jovens Lusófonos se enquadra na
actualidade das ideias europeias ; transformação da nossa
Comunidade em França, e na política da internacionalização da
economia portuguesa, defendida pelo Governo anterior. No aspecto
cultural conseguiram mostrar espectacularmente a transformação
da Vida Associativa nesta época da Europeização.
Estes
Jovens apesar de estarem perfeitamente bem integrados em França,
não querem esquecer a cultura portuguesa, mas pelo contrário
conhecê-la melhor segundo eles dizem, enraizando-a num melhor
conhecimento da língua portuguesa.
Foi
graças a esta Associação que a Comunidade começou a conhecer a
música de Portugal, dos novos tempos, convidando Grupos modernos
como o Grupo Novo Rock (GNR) ou o Grupo Madredeus. Para o melhor
conhecimento da língua portuguesa têm organizado vários debates
à sua volta como o da Primavera/93 ou o do 4°. Fórum intitulado
Conhecer o Português, uma Vantagem na Procura dum Emprego.
Neste
desejo de conhecer melhor a sua língua materna a
“Cap-Magellan” liga-se também ao cordão umbilical do
Associativismo Português em França, neste tempo da transformação,
da nova época da Europeização.
Sabem
assumir-se e não têm vergonha da suas origens, como também os
lusodescendentes que acabaram de criar a Associação Agora à
Argenteuil. Nesta descoberta das origens dos lusodescendentes, à
semelhança da “Cap-Magellan” é com agrado que vemos também
nesta década 90, aparecem Mémoires e teses nas Universidades
Francesas dos Jovens Portugueses e até publicações de livros.
Assim,
já na década 80 tinha aparecido o livro da Jovem de então,
Maria do Céu Cunha Portugais de France CIEMI-l’Harmattan, Paris
1988. Na década noventa, tivemos conhecido do Mémoire de Maîtrise
d’Histoire (1994-95) Les portugais dans les bidonvilles du Nord
Est de la Banlieue Parisienne (1961-1973) do Jovem António
Saraiva da Universidade de Paris VIII. Também o Mémoire de um
DEA, Le Bidonville des Portugais - à Massy (1964-1977) da Jovem
Brigitte da Graça, apresentado em 1996, no Institut d’Etudes
Politiques de Paris ; o Mémoire de maîtrise d’Histoire,
L’immigration portugaise vue à travers un journal de l’Eglise
Catholique de France de outro jovem, Alfredo da Cruz, apresentado
na Universidade Paris I - Panthéon
Sorbonne. E outros que estão em vias de apresentação e
de publicação como o que foi publicado já em livro, no final de
1997 de Jorge de la Barre que atrás anunciei e que o dedicou à
la mémoire de mon grand père Jorge, sagesse généreuse.
Por
isso nos prova, como temos vindo a defender, que os indivíduos
sentir-se-ão tanto mais feliz, quanto mais souberem assumir o que
são e conhecerem melhor os seus ascendentes. Só assim saberão
construir com mais consciência a nova etapa da Comunidade
Portuguesa em França e que também se revelou nas Assises
Portugaises em Abril de 1993.
Les
assises portugaises (Abril
1993)
Este
acontecimento teve lugar em Paris e na província, durante os dias
3 e 4 de Abril de 1993 e foi designado por “Assises de la
Communauté Portugaise de France” sob o slogan : “Portugueses
de França Cidadãos da Europa”. Para além de outros aspectos
que nos pareceram muito positivos, também observámos, e pela
segunda vez, a convergência dos dois caminhos paralelos dos
Portugueses em França de que temos falado. Por outro lado, o
facto de terem ocupado os espaços da “Grande Arche de la Défense”
demonstrou que os Portugueses saíam dos espaços exíguos e
secundários, onde muitas vezes se reuniam e realizavam as suas
recreações, para espaços daquela primeira categoria.
Esta
manifestação portuguesa teve o alto patrocínio do Presidente da
República Portuguesa, Dr. Mário Soares ; e da República
Francesa, Mr. François Mitterrand.
Os
Estados Gerais da Comunidade Portuguesa em França, como os
jornais intitularam as “Assises Portugaises” numa dimensão à
escala deste País Acolhedor, foram da iniciativa de Coordenações
de Associações da região parisiense e de outras instaladas na
província, em colaboração com as associações empresariais,
com a pastoral emigrante e com as
associações
da Juventude Portuguesa incluindo a “Cap-Magellan”.
Naquela
manifestação observámos também a participação de
personalidades e especialistas, daquilo que eu chamo Comunidade
oficiosa e oficial, bem como a participação de personalidades
francesas, embora em número mais reduzido do que se esperava.
O
objectivo principal destes Estados Gerais Portugueses, foi em
primeiro lugar, de nos reconhecermos e de descobrirmos a posição
que naquele momento, ocupávamos em França ; e em segundo lugar,
quebrarmos a tal invisibilidade de que tanto se tem vindo a falar,
sobre os portugueses.
Pelas
participações que observámos, aquela iniciativa ilustrou de
forma eloquente, a vitalidade global da Comunidade e aqueles
Estados Gerais representaram também a primeira oportunidade, na
convergência dos dois caminhos, de podermos discutir temas tão
importantes como : Aspectos Económicos e Sociais, Aspectos
Culturais ; Acerca da Cidadania ; e ainda o aspecto científico,
onde participaram quase duzentas pessoas dos diversos sectores
portugueses, neste país.
Só
por esta oportunidade, pensamos que já valeu a pena a realização
das “Assises Portugaises” e por terem provado a nós mesmos, a
nossa maturidade e a nossa capacidade de transformação à
conquista de Outra Imagem.
Ao
encontro do espírito português em França:
A
outra imagem
Lembramos
o acontecimento da Presença Portuguesa no Zénith, em Maio de
1986 e dos Estados Gerais da nossa Comunidade na “Grande Arche
de la Défense” em Abril de 1993, como fio condutor que nos
conduzirá ao Encontro do Espírito Português em França, no último
trimestre de 1996.
Também
neste último trimestre de 1996, podemos observar uma estreita
colaboração, entre as
instituições
associativas e as instituições oficiais e oficiosas portuguesas,
onde pela terceira vez, vimos convergir aquele caminho paralelo
das diversas componentes da nossa Comunidade de que temos vindo a
falar e que de novo se encontraram no Espírito Português em França,
isto é, naquele espírito criador dos portugueses, nas suas
diversas formas de recreio e de cultura que foram apresentadas,
durante aquele fim de ano, tanto aos Portugueses em França, como
aos Franceses que apreciam a nossa maneira de ser.
Assim
fomos espectadores do V Festival do Teatro Português em França,
por iniciativa
da
CCPF (Coordenação das Colectividades Portuguesas em França) que
contou mais de 50 representações espalhadas por cerca de 20
cidades, na área metropolitana de Paris e em cidades da província,
actuando ainda na Bélgica, na Suíça e em Luxemburgo. Todos os
espectáculos tiveram uma média de 100 espectadores, em cada sessão,
havendo algumas sessões com mais de 300 pessoas, como foi o caso
da última representação, no Teatro Menilmontant de Paris.
A
“Cap-Magellan” no seu 5° Fórum, conseguiu também a presença
de mais de 50 stands de instituições oficiais, de empresas e de
organizações associativas. Apresentou dez colóquios com
diversos temas da actualidade ; 12 animações culturais com
realidades do Portugal de hoje e da lusofonia de diversos
continentes ; e ainda o habitual concerto, desta vez com os
“Despe e Siga” no Divan du Monde, em Paris. Lembramos que
caucionaram este Fórum, a presença do Prémio Nobel da Paz, José
Ramos Horta e o Presidente da República Portuguesa, Dr. Jorge
Sampaio. Também a Igreja Portuguesa junto da comunidade, uma das
primeiras instituições do nosso país que estiveram ao lado da
Emigração, desde da primeira hora, comemorou em 8 de Dezembro de
1996, os 350 anos do juramento e da vassalagem de D. João IV à
Nossa Senhora da Conceição, tornando-a por Padroeira do Reino de
Portugal, onde estiveram presentes muitas individualidades civis e
religiosas tanto portuguesas como francesas. A Fundação Calouste
Gulbenkian em Paris, neste final de 1996, contabilizamos-lhe uma dúzia
de acontecimentos culturais, como é do seu hábito, para um público
naturalmente seleccionado, pelo tema de cada iniciativa cultural,
mas que neste trimestre, permitiu ainda, nos seus espaços outras
manifestações de ordem associativa, como as que se relacionaram
com o programa do V Festival da CCPF e as do programa da Associação
Presença, em diversos temas de ordem cultural e apresentados,
exclusivamente em Português.
Neste
desenrolar de actividades culturais da Comunidade Portuguesa em
França, podemos ainda falar dalgumas promovidas pelo Instituto
Camões próximas de V Festival da CCPF e da grande solidariedade
da Casa de Portugal da Cidade Universitária, com o Movimento
Associativo, especialmente naquele trimestre que temos vindo a
analisar.
Neste
movimento trimestrial, também o empresariado português do 1°
tipo como a Caixa Geral de Depósitos, o Banco Pinto e Sotto Mayor
e a Império, voltou a apoiar alguns artistas portugueses. Nesse
apoio oferecerem espaços para exporem as suas obras como as da
Paula Liberato, na Caixa Geral de Depósitos ou as do Orlando
Pompeu na Império ; ou então
subvencionaram-nas
como a exposição da Isabel Saraiva, na Cidade Universitária ;
ou a da Helena, na galeria rue Treger em Paris VI.
Algumas
destas exposições tiveram tambÉm o apoio da Embaixada
Portuguesa em Paris
Devemos
também salientar, neste fim de ano de 1996, a cooperação
Franco-Portuguesas que havia nascido na 2a fase do Movimento
Associativo, como vimos. Contudo, desta vez, essa cooperação foi
mais alargada da que tem sido habitual no Associativismo Português.
Vimos então acções culturais e comuns como as da Interaction
France-Portugal ; as do Consulado Português de Nogent sur Marne
com a “Mairie” desta cidade, à volta das comemorações dos
25 anos daquele Consulado ; e como as do Festival Ibérico em
Rueil-Malmaison, à volta das duas culturas Ibéricas ; e ainda a
homenagem ao grande escritor português, Eça de Queirós, por
ocasião do 150e aniversário do seu nascimento, em Neuilly e na
UNESCO, em Paris.
Com
todas estas manifestações culturais, houve uma maior aproximação
Luso-Portuguesa e Franco-Portuguesa que nos conduziram à revelação
da Outra Imagem.
Nesta
transformação da Comunidade Portuguesa em França, também a
investigação científica francesa começou a interessar-se, em
estudar a nossa realidade na Sociedade Acolhedora. Assim, nestes
últimos anos, sobretudo a partir de 1993, várias teses Universitárias
e publicações de alguns livros, revelam o interesse que suscita
ultimamente, aos estudiosos franceses, como por exemplo a publicação
em 31 de Março de 1995 “La Communauté Portugaise en France :
Espace et Devenir” de Nathalie Kotolok-Piot ou o “Mémoire”
de um DEA em preparação do jovem francês Bernard Perret na “École
des Hautes Études en Sciences Sociales” de Paris, intitulado
“L’intégration des Portugais en France”.
Conclusão
Para
concluirmos, gostaria de salientar
os seguintes pontos essenciais deste nosso testemunho
•
A evolução histórica da nossa presença em França neste século,
fez-se através de três gerações distintas e uma geração
indirecta depois dos anos sessenta e setenta.
•
O percurso do Movimento Associativo desde aquelas décadas,
permitiu-nos acompanhar a evolução e a transformação da
realidade portuguesa, no seio da Sociedade Francesa,
salientando-se as actividades desportivas, recreativas, culturais
e linguísticas, bem como a nossa personalidade na passagem do
trabalho por conta de outrem, para o trabalho por conta própria,
conquistando uma promoção económica na Comunidade, com o mérito
dum reconhecimento das autoridades portuguesas.
•
Os três encontros, pelo menos, de dois caminhos paralelos da
nossa Presença em França mostraram o que há mais de comum, em
todos os Portugueses, seja qual for a razão porque estão cá ou
o estatuto social a que pertencem. Encontramo--nos na mesma consciência
dum povo que somos.
•
A Lusodescendência a mais consciente, tem sabido também
afirmar-se à volta das suas raízes, por meio do associativismo e
do veículo linguístico e científico com base na nova realidade
binacional e bicultural que lhes é própria e que o Estado
Português lhes reconhece, através da dupla nacionalidade.
•
Também foi possível salientarmos a existência duma amizade e
cooperação luso-francesa, tanto no Associativismo, como no
institucionalismo e do despertar duma atenção científica, por
parte de alguns investigadores das Ciências Humanas, deste País.
Pela
análise de todas estas etapas, concluímos que está em marcha a
construção de uma outra imagem, da Presença Portuguesa em França,
embora haja, ainda muito que fazer nesse sentido, por todos
aqueles que se sentem ainda Portugueses e por aqueles
Lusodescendentes que não esqueceram as suas origens, neste novo
espaço que se abriu da Cidadania Europeia.
Citando
o último período da "Memória das Gerações de Portugueses
Exilados em França" de 1997 : "Agora que a Cidadania
Europeia nos é comum, façamos dela a razão de ser da nossa
dignidade, na igualdade de direitos, sem ostracismos nem exílios".
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