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POLITICA

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- Esquerda derrota direita em eleições históricas para o PS Março 05

- O dia 21 de Fevereiro vai ser interessante... Fevereiro 05   

- Durão Barroso visitou Jacques Chirac e comentou o "choque" do 21 de Abril num debate organizado por Jean-Pierre Raffarin Maio 03

- Batalhas perdidas em Portugal Maio 03

- Jacques Chirac não esqueceu a Comunidade Portuguesa Maio 03

- Já é tempo de acordar ! Janeiro 01
- Partido Social Democrata (PSD) festeja 25° aniversário em Paris Novembro 00

 

 

Março 05

Esquerda derrota direita em eleições históricas para o PS

 

O Partido Socialista alcançou uma vitória histó-rica nas eleições legislativas antecipadas de 20 de Fevereiro ao conseguir a sua primeira maioria absoluta de sempre, alcançando 120 deputados dos 226 apurados no dia das eleições, de acordo com os resultados oficiais provisórios.

José Sócrates foi o grande vencedor da noite eleitoral, conseguindo não só o objectivo da maioria absoluta, como ganhar em todos os círculos eleitorais do continente e ilhas, à excepção de Leiria e Madeira.

Com 45,05%, o PS registou a terceira maior votação de sempre num só partido, só superada pelas maiorias absolutas do PSD de Cavaco Silva em 1987 (50,22%) e 1991 (50,60%).

O Partido Social Democrata sofreu a maior derrota desde 1983, ao alcançar apenas 72 lugares na Assembleia da República, com 28,7% dos votos, o que se traduz na perda de 30 deputados face ao mandato anterior.

O CDS/PP, com 7,26% dos votos e 12 deputados, foi outro dos partidos derrotados nas urnas, perdendo dois deputados e passando de terceira para quarta força política, atrás da CDU.

Jerónimo de Sousa, que substituiu Carlos Carvalhas na liderança do PCP em Dezembro do ano passado, conseguiu inverter a tendência de queda da CDU que se vinha a registar desde 1985, ao eleger, com 7,57% dos votos, 14 deputados, mais dois do que nas últimas legislativas.

Apesar de ganhador, o Bloco de Esquerda (que, com 6,38%, subiu de três para oito deputados) não conseguiu impedir a maioria absoluta dos socialistas de forma a condicionar as políticas do PS.

A noite eleitoral fica assim marcada por uma vitória de todos os partidos da esquerda e por uma derrota dos partidos da coligação de governo, cuja soma não chega a atingir os 36%.

Os resultados eleitorais tiveram ainda tradução directa na convocação de congressos extraordinários do PSD e do CDS/PP para escolha de novas direcções.

Contudo, só Paulo Portas (CDS/PP), ao assumir que falhou os quatro objectivos que se tinha proposto nas legislativas, anunciou de imediato a sua demissão, enquanto Pedro Santana Lopes, líder dos social-democratas, anunciou a convocatória do congresso extraordinário sem esclarecer se se demite ou se se recandidata.

A Assembleia da República tem 230 mandatos, faltando apurar os quatro deputados eleitos pela Emigração, que serão conhecidos a 2 de Março.

 

Carolina Borges (com Agência Lusa)

 

 

 

 

Fevereiro 05 

O dia 21 de Fevereiro vai ser interessante...

 

Interessante será seguir, calmamente, se possível, o desenrolar da campanha política em que estamos embrulhados. Dar uma de saloio e fazer de conta que não vimos, não sabemos, nem queremos saber... mas vendo, sabendo e querendo saber. É que o pior, em qualquer um dos casos, é saber - e nós sabemos - que tudo quanto se fizer, agora, em matéria de escolher Governo vai afectar milhões de pessoas. Que já apertam o cinto há anos a mais. Que já gemem o temor de ficar pior ou na mesma, sempre que ouvem alguns políticos a abrir a boca.

Porque, no fundo - e a ideia nem é nova - há que escolher entre os que não nos conseguiram tirar da crise, os que nos atiraram para lá e os que haveriam de continuar no mesmo rumo se estivessem no poleiro. Assim sendo... vai ser um fartote ouvi-los a todos, dia após dia, a vender a já conhecida “banha da cobra” que daria para curar todas as mazelas.

Depois de uma revolução que muitos apelidaram dos cravos - e não o foi tanto assim - aí temos a chegar a “conta da modista”. Fizeram-se vestidos bonitos a mais, aperaltaram-se os senhores e abonecaram-se as damas. Vestiu-se fato novo em cada dia que passava sem lembrar os ensinamentos do nosso Povo segundo os quais “quem quer andar sempre de novo... anda sempre de velho”. Comeram-se refeições a mais mesmo em país onde ainda há gente com fome.

Assim, aumentou o despesismo, caíram as barreiras que impediam o desemprego, foram-se os anéis... e os dedos ficaram um tanto ou quanto machucados, precisando rapidamente e quase in extremis de uma operação salvadora. E a Europa, que nos acenou com cenouras a mais não parece ter contemplações com um parente pobre que teima em bancar de rico. Manda-nos a conta da modista. E do merceeiro. E dos muitos fornecedores que teimamos em esquecer.

Se não conseguirmos fazer marcha atrás, no nosso afã de gastar mais do que ganhamos, é certo e sabido que entramos numa onda avassaladora. Que nos há-de manietar de tal modo que não conseguimos despir a camisa (de muitas varas...) em que nos espartilham. Se não conseguirmos poupar nas galopantes despesas - até, e sobretudo, com o Estado e seus (maus) servidores - o caminho do fim está próximo. E nem sequer sabemos se as próximas eleições não serão as últimas. É que a Europa não há-de querer ter no seu seio um parceiro tão perdulário, tão despesista, tão “não te rales” que teima em exportar para os outros uma forma atávica de ser que só pode causar mal-estar.

Houve, de facto, nos últimos dez anos, muitos desmandos. Dos que nos ajudaram a entrar na crise e daqueles que, mesmo jurando a pés juntos que nos iriam puxar para cima, mais não fizeram do que... empurrar para baixo. Talvez porque a panaceia imposta já não tem pernas para andar. Desmandos muitos a dar-nos a entender que Portugal, enquanto Nação, necessita cada vez mais de uma clarificação de intenções, suportada por um rol de medidas práticas que já não podem tardar.

Programas realistas. Intenções honestas. Políticos que consigam pôr acima dos seus, os interesses da colectividade. Sem pensar nos chamados “media” que jogam para todos os lados desde que esses lados sejam os dos seus próprios interesses. Que não deixam andar em frente mesmo àqueles que fazem disso o seu cavalo de batalha. E que criticam por igual os ministros que sabem o que estão a fazer e os outros. Não há, de facto, pachorra para ouvir tantos dislates. Com as Finanças a sofrerem com isso. E com a opinião pública a ser, dia após dia, “metralhada” com ideias-força falhas de bom senso.

Felizmente que já não há tempo nem condições para fazer sair de uma qualquer aldeia ou vila de Portugal um homem de botas cardadas que ponha o país a pensar certo. Porque, se o houvesse, neste momento, éramos bem capazes de estar à beira de algo de que nos envergonharíamos para todo o sempre, já que as ditaduras têm todas os dias contados.

Desta forma, a 20 de Fevereiro, importa votar bem. Abjurando as falinhas mansas de quem só quer o poleiro, mas atendendo tão somente às ideias-força que nos forem atiradas. Sobretudo importa escolher os políticos que nos injectem uma certa dose de confiança. Que anda perdida há mais de uma década. E que teima em ser dama prendada e séria que só se dá a quem a merece. E às vezes... pensamos não merecer ter confiança.

   

Fernando Cruz Gomes

 

 

 

 

Maio 03
Durão Barroso visitou Jacques Chirac e comentou o "choque" do 21 de

 Abril num debate organizado por Jean-Pierre Raffarin

 

O " choque " do 21 de Abril foi o tema do debate organizado no hotel Intercontinental em Paris pelo clube Dialogue et Initiatives, fundado pelo Primeiro-Ministro Jean-Pierre Raffarin, Dominique Perben, Michel Barnier e Jacques Barrot.
Além dos fundadores participaram  os Primeiros-ministros, de Espanha, José Maria Aznar, Jean-Claude Juncker, do Luxemburgo e Mikulas Dzurinda da Eslováquia assim como o presidente da UMP e antigo Primeiro-ministro Alain Juppé, o ministro-presidente da região alemã de Hesse, Roland Koch, a presidente da CDU alemã, Angela Merkel e a Fundação Konrad-Adenauer.
Nos comentários que se ouviam entre os jornalistas presentes ficou a ideia que ninguém acreditava que todos estes ilustres congressistas estivessem em Paris apenas para debater sobre o choque das eleições de 21 de Abril de 2002 em França que deram 17,5% de votos a Jean-Marie Le Pen. A crise provocada pela guerra do Iraque e a divisão criada em os pró e os contra os americanos estava presente na mente de cada um. Entre Alain Juppé que vê nos Estados Unidos um partener e não um “protectorado” e José Maria Aznar que “aconselha” os franceses a “não definir a integração europeia de maneira negativa contra quem quer que seja” e lembrando que os dois lados do Atlântico “partilham os mesmos valores”, constatou-se que muitas arestas ainda estavam por limar. Sobretudo, o Primeiro-ministro espanhol disse ainda a Alain Juppé que este teria de integrar a dimensão “insular”  da Espanha nos seus cálculos europeus.
Enquanto Jean-Pierre Raffairin sugere o controle da mundialização, Durão Barrozo diz que não temos nada a temer da mundialização, bem pelo contrário e Aznar confirma dizendo que a descentralização é bom mas que a liberalização é ainda melhor.
Depois de jantar com Jean-Pierre Raffairin, Durão Barroso foi recebido no dia seguinte pelo presidente Jaques Chirac

 

AC

 

     

 

Maio 03
Batalhas perdidas em Portugal

 

Há quem o acredite. Durão Barroso, talvez ao ver o que aconteceu com George Bush, esperava que a guerra no Iraque lhe desse um pouco de "ar" na "anemia" geral que se vai anotando no Portugal que amamos. Esperava e tudo fez para entrar no combóio, quando ele já estava em andamento...
Tudo parecia indicar que, de facto, o troar do canhão daria força a um Governo que, mercê de toda uma série de desmandos que são capazes de vir de longe, estava fora de tom e mais ou menos em derrapagem. Sim, porque depois de muitos erros e alguns saltos no que diz respeito à forma como nos areópagos internacionais, tudo isto se pode conduzir... a guerra estava, à partida, ganha, tão formidável era o impacto das máquinas que Washington mandou para o Iraque.
Só que, no plano interno, tudo virou ao contrário. Primeiro, foi Isaltino Morais apanhado das malhas de um "esquecimento grave" que teve de abandonar o barco. Depois... Valente de Oliveira. Depois... houve que fazer uma remodelação forçada, mais ou menos a mando dos outros... que não augura nada de bom para este primeiro-ministro, que -  contràriamente ao que acontecia com um dos vultos que o PSD deu à cena política nacional - se engana muitas vezes...
Alguém dizia, não há muito, que este Governo parece não saber bem o que fazer. Que esgotou muitas das bandeiras eleitorais, como foi o caso do código de trabalho que está ainda na mira de fogo dos opositores. As bandeiras eleitorais são o que são, mas deveriam representar o programa político de uma maioria que está, de facto, mais anémica. Sobretudo se houver necessidade, a breve trecho, de sacrificar outros nomes e algumas "estrelas" de uma constelação que não deu brilho.
Sim... porque em tribunal "navegam" barcos que podem bem ir ao fundo. Sim, porque em inspecções e estudos... há material para fazer rolar algumas cabeças. Sim, porque nos corredores do Poder - designadamente nas Necessidades - há vozes discordantes no tocante ao "homem do leme".
A guerra pode resolver algumas questões nos Estados Unidos. Pode levantar o nível das sondagens. Não nos parece, porém, que seja panaceia para consumo interno, quando se trata de um País como Portugal. Que, no tocante à guerra, apenas poderá, quando muito - e já não seria mau de todo - aspirar a ajudar às tarefas da (re)construção. Que para isso... já vamos estando habituados um pouco por todo o mundo.

 

Fernando Cruz Gomes


 

Maio 02
Jacques Chirac não esqueceu a Comunidade Portuguesa

 

O Presidente françês conviveu com os portugueses num já celebre restaurante, o Dom António em Saint-Maur (arredores de Paris), depois de uma entrevista concedida à rádio Alfa.
Visivelmente cansado quando chegou ao restaurante, Jacques Chirac apareceu no entanto jovial e sorridente como sempre, apertando dezenas de mãos que se estendiam na rua. Depois do discurso de António Cardoso*, proprietário do Dom António, o presidente da República elogiou a capacidade empreendedora e de integração dos portugueses não esquecendo referências ao sucesso empresarial de Armando Lopes e de António Cardoso assim como palavras de saudade e de admiração por Amália Rodrigues. (Uma das salas do Dom António tem o nome de “Casa da Amália” e foi inaugurada pela artista).
Chirac felicitou igualmente o jovem e novo deputado Carlos Gonçalves referindo ainda que “muitos franceses de origem portuguesa e muitos portugueses exercem cargos importantes em todos os sectores socio-culturais e económicos em França”.
Num tom irónico, disse que “estava sobretudo preocupado pelo facto que, devido ao desenvolvimento de Portugal, cada vez mais portugueses regressavam ao seu país”.
Os cerca de duzentos convidados, portugueses e responsáveis políticos regionais empurravam-se e disputavam com os fotógrafos e câmaras de televisão os escassos centímetros quadrados à frente do perímetro reservado ao Presidente.
António Cardoso, declarou ao Encontro que tinha convidado o Presidente ao seu restaurante através do deputado Henri Plagnol, “um grande amigo dos portugueses” porque havia constituído um “Comité” português de apoio ao candidato Jacques Chirac.
O Elysée fez coincidir este convite com o da rádio Alfa o que permitiu também um encontro com as associações portuguesas solicitado há vários meses por Paulo Marques, um dirigente associativo lusodescendente, conselheiro municipal de Aulnay sous Bois e membro do Conselho Nacional da Juventude em Portugal.
No discurso que proferiu, Chirac sublinhou que a “dupla cidadania é um trunfo formidável” para os lusodescendentes por terem uma dupla cultura. “Podem ter orgulho nos vossos pais, mantenham e preservem a vossa cultura de origem”.

 

Entrevista na rádio Alfa
A rádio portuguesa convidou todos os candidatos para falarem aos portugueses mas dos que atingiram mais de 5 por cento só Jacques Chirac, Nöel Mamère e Jean-Marie Le Pen se deslocaram.
Interrogado por Artur Silva e Daniel Ribeiro, Jacques Chirac demonstrou se necessário fosse que estava preparado para falar com os portugueses. Escolheu uma canção de Fausto no final da entrevista. Daniel Ribeiro admirado perguntou-lhe a razão de tal escolha. Chirac respondeu que quando se fala de Portugal em termos de música o pensamento imediato vai para o fado e particularmente para a grande Amália Rodrigues. No entanto, como era um apaixonado pela história, pela Ásia e pelos descobrimentos portugueses nomeadamente pela história de Fernão Mendes Pinto, tinha escolhido o cantor que tinha musicado a história do descobridor. O presidente afirmou ainda que, contrariamente a alguns historiadores acreditava ter sido Fernão Mendes Pinto o primeiro europeu a chegar ao Japão. Referiu para concluir que “não era importante a contestação dos historiadores mas sim o talento e a superna maneira como a história  era contada”.
“Fausto é um cantor de esquerda”, disse Daniel Ribeiro, algo incrédulo. “Ninguém é perfeito” respondeu Jacques Chirac.
O Presidente não quis comentar a vitória da direita em Portugal. “Não posso imiscuir-me na política interna portuguesa, Portugal é um país que respeito muito. No entanto, Durão Barroso é um dos meus amigos e a título pessoal regozijo-me pela sua vitória e desejo-lhe muita sorte”. Jacques Chirac disse ainda que o ensino da língua portuguesa se deve desenvolver em França e que é a favor da criação de um Liceu Português em Paris tal como já existe o Liceu Espanhol. “Já tive a oportunidade de o referir isso mesmo ao Primeiro-Ministro português e de invocar a necessária reciprocidade. É preciso também um esforço de Portugal para ensinar o francês. Sempre defendi o respeito da diversidade cultural.
A riqueza do mundo e particularmente da Europa consiste exactamente nessa diversidade nomeadamente nas línguas. Deve-se portanto dar um impulso ao ensino dessas línguas”.
*Homónimo do jornalista  

A. Cardoso  

 

 

 

Janeiro 01
Já é tempo de acordar !

 

Tal como tínhamos anunciado  edição anterior, Armando Lopes confirmou no dia 18 de Dezembro, no Gymnase de Reuilly, a sua candidatura na lista de Jean François Pernin, para a câmara de Paris 12.

Já era um segredo de polichinelo que o empresário português tinha decidido aceitar o convite de Philippe Seguin para entrar na corrida com a condição de ter a certeza de obter um posto de vereador na capital Francesa.

Mas a política é assim, tudo tem de ser ponderado e uma das primeiras coisas que se aprendem é a moderação. Todos nós já ouvimos os políticos dizerem : “só aceitei candidatar-me devido à insistência de muita gente, reflecti e constatei que poderia útil.” Efectivamente, quem está na política tem de demonstrar que as decisões não são tomadas de qualquer maneira, sem a reflexão necessária.

Um dos pontos mais importantes para se conseguir chegar aos eleitores e em seguida convencê-los que têm o melhor programa e as melhores intenções, é saber comunicar, lidar com a Comunicação Social e assim poder veicular a imagem e as ideias. E, nesta área, Armando Lopes tem-se revelado exímio. De facto, compreendeu muito cedo que o futebol e a Comunicação Social lhe trariam a projecção que necessitava para atingir os seus objectivos e concretizar algumas das suas aspirações. Dedicou-se de corpo e alma desde os anos sessenta ao “seu” clube de futebol, “Os Lusitanos de Saint-Maur” e tomou o controle da Rádio Alfa, única rádio de expressão portuguesa em Paris. Mas também sabe mexer os cordelinhos que lhe permitem obter páginas de destaque à sua candidatura no jornal Expresso, no Lusitano, no Encontro, na Vida Lusa e outros.

A plateia do Gymnase de Reuilly estava repleta e constatámos que mais de metade da assistência era portuguesa ; até Eusébio, o nosso “Pantera Negra” se tinha deslocado de Portugal para apoiar o seu amigo Armando Lopes. Reconhe-cemos alguns ex-detractores que aplaudiam ruidosamente os elogios que Philippe Seguin fazia durante o seu discurso, ao candidato português.

Tínhamos vontade de os entrevistar, perguntar-lhes se iriam votar, se residiam no bairro...

Também nos apeteceu felicitá-los por estarem presentes e por terem eventualmente compreendido que “aquilo que nos une, é muito mais importante que o que nos diferencia”.

Realmente, a evolução social e económica da comunidade portuguesa deveria em princípio contribuir para que aqueles que “não fazem nem deixam fazer” abdiquem progressivamente de criticar tudo o que se faz e o que não se faz, sob pretexto de defenderem as suas capelinhas, esquecendo assim o bem comum.

E, o bem comum dos Portugueses que residem em França, é estarem inscritos nas listas eleitorais para serem recebidos com educação e amabilidade pelas câmaras e outras instituições da região onde residem e não como cidadãos de terceira classe. Só assim conseguiremos que alguns franceses idiotas que se julgam superiores, -  felizmente uma minoria - tenham mais consideração por nós e nos respeitem como merecemos.

Uma vez inscritos, votem em quem quiserem e em quem lhes apetecer, em função da vossa sensibilidade ou segundo os critérios que definirem.

Não se pode pensar que a política é só para os outros : a maneira como são geridas as escolas onde estudam os nossos filhos, as cantinas, a água que bebemos, a luz que alumia a nossa rua ou a recolha do lixo, tudo é política. E, todos nós temos a nossa palavra a dizer pois sabemos o que está bem e o que funciona mal. Já é tempo de acordar.

Já tive a oportunidade de escrever na Vida Lusa que fora de Portugal, sou tanto do Benfica como do Porto, do Sporting ou de qualquer outro clube. Aplico a mesma lógica à política e sou “adepto” de todos os partidos portugueses, excepto dos xenófobos. Mas em Portugal os “meus” são os melhores, nem que percam sempre.

Em Paris 12 vou tentar convencer os meus amigos a apoiar a lista onde está Armando Lopes e vou fazer o mesmo em todas as câmaras onde se apresentem portugueses.

 

António Cardoso  

 

 

 

Novembro 00
Partido Social Democrata (PSD) festeja 25° aniversário em Paris

No mês de Outubro, o PSD Partido Social Democrata, festejou os seus 25 anos de existência em Paris. O jovem e simpático presidente da Câmara de Pavillons Sous Bois, Philippe Dallier disponibilizou uma das salas de festas da Câmara para receber o Presidente do Partido, José Manuel Durão Barroso, acompanhado pelo candidato à Presidência da República, Joaquim Ferreira do Amaral e pelo deputado José Cesário.

  Como sempre nestas ocasiões, o presidente da Secção de Paris, Carlos Gonçalves mostrou-se exímio na arte de discursar sobre as carências da comunidade em termos políticos e de bem receber os militantes.

  Ficámos perplexos à nossa chegada pois a fila de espera repleta de jovens para entrar na sala era enorme e começámos a sonhar com o peso dos votos dos emigrantes nas próximas eleições presidenciais em Portugal.

  Acordámos rapidamente ao constatar que a fila de espera se destinava ao espectáculo do cómico Pierre Palmade que decorria à mesma hora numa sala vizinha.

  Mesmo assim, não ficámos desapontados pois o “nosso” jantar reunia à volta de trezentas pessoas e pela primeira vez desde há muitos anos, notámos uma predominância de jovens e bastantes caras novas.

  Infelizmente, os discursos pareceram-nos algo retrógrados e vazios de projectos inovadores para interessar realmente os tais lusodescendentes pela política portuguesa. Partimos pois decepcionados por nem sequer ter provado nem visto o bolo de aniversário.

  Resta-nos esperar que esta nova geração de políticos, tais como o Carlos Gonçalves, o José Cesário, o Philippe Dallier e outros de todos os Partidos, saibam encontrar as palavras apropriadas e justas assim como os meios necessários para convencer os portugueses residentes no estrangeiro que a política não é só conversa e que se não exprimem as suas opiniões nos actos eleitorais, serão sempre considerados como turistas de passagem.

   

António Cardoso