|
Março
05
Esquerda
derrota direita em eleições históricas para o PS
O
Partido Socialista alcançou uma vitória histó-rica nas
eleições legislativas antecipadas de 20 de Fevereiro ao conseguir
a sua primeira maioria absoluta de sempre, alcançando 120
deputados dos 226 apurados no dia das eleições, de acordo com os
resultados oficiais provisórios.
José
Sócrates foi o grande vencedor da noite eleitoral, conseguindo
não só o objectivo da maioria absoluta, como ganhar em todos os
círculos eleitorais do continente e ilhas, à excepção de
Leiria e Madeira.
Com
45,05%, o PS registou a terceira maior votação de sempre num só
partido, só superada pelas maiorias absolutas do PSD de Cavaco
Silva em 1987 (50,22%) e 1991 (50,60%).
O
Partido Social Democrata sofreu a maior derrota desde 1983, ao
alcançar apenas 72 lugares na Assembleia da República, com 28,7%
dos votos, o que se traduz na perda de 30 deputados face ao
mandato anterior.
O
CDS/PP, com 7,26% dos votos e 12 deputados, foi outro dos partidos
derrotados nas urnas, perdendo dois deputados e passando de
terceira para quarta força política, atrás da CDU.
Jerónimo
de Sousa, que substituiu Carlos Carvalhas na liderança do PCP em
Dezembro do ano passado, conseguiu inverter a tendência de queda
da CDU que se vinha a registar desde 1985, ao eleger, com 7,57%
dos votos, 14 deputados, mais dois do que nas últimas
legislativas.
Apesar
de ganhador, o Bloco de Esquerda (que, com 6,38%, subiu de três
para oito deputados) não conseguiu impedir a maioria absoluta dos
socialistas de forma a condicionar as políticas do PS.
A
noite eleitoral fica assim marcada por uma vitória de todos os
partidos da esquerda e por uma derrota dos partidos da coligação
de governo, cuja soma não chega a atingir os 36%.
Os
resultados eleitorais tiveram ainda tradução directa na
convocação de congressos extraordinários do PSD e do CDS/PP
para escolha de novas direcções.
Contudo,
só Paulo Portas (CDS/PP), ao assumir que falhou os quatro
objectivos que se tinha proposto nas legislativas, anunciou de
imediato a sua demissão, enquanto Pedro Santana Lopes, líder dos
social-democratas, anunciou a convocatória do congresso
extraordinário sem esclarecer se se demite ou se se recandidata.
A
Assembleia da República tem 230 mandatos, faltando apurar os
quatro deputados eleitos pela Emigração, que serão conhecidos a
2 de Março.
Carolina Borges (com
Agência Lusa)
Fevereiro
05
O
dia 21 de Fevereiro vai ser interessante...
Interessante
será seguir, calmamente, se possível, o desenrolar da campanha
política em que estamos embrulhados. Dar uma de saloio e fazer de
conta que não vimos, não sabemos, nem queremos saber... mas
vendo, sabendo e querendo saber. É que o pior, em qualquer um dos
casos, é saber - e nós sabemos - que tudo quanto se fizer,
agora, em matéria de escolher Governo vai afectar milhões de
pessoas. Que já apertam o cinto há anos a mais. Que já gemem o
temor de ficar pior ou na mesma, sempre que ouvem alguns
políticos a abrir a boca.
Porque,
no fundo - e a ideia nem é nova - há que escolher entre os que
não nos conseguiram tirar da crise, os que nos atiraram para lá
e os que haveriam de continuar no mesmo rumo se estivessem no
poleiro. Assim sendo... vai ser um fartote ouvi-los a todos, dia
após dia, a vender a já conhecida “banha da cobra” que daria
para curar todas as mazelas.
Depois
de uma revolução que muitos apelidaram dos cravos - e não o foi
tanto assim - aí temos a chegar a “conta da modista”.
Fizeram-se vestidos bonitos a mais, aperaltaram-se os senhores e
abonecaram-se as damas. Vestiu-se fato novo em cada dia que
passava sem lembrar os ensinamentos do nosso Povo segundo os quais
“quem quer andar sempre de novo... anda sempre de velho”.
Comeram-se refeições a mais mesmo em país onde ainda há gente
com fome.
Assim,
aumentou o despesismo, caíram as barreiras que impediam o
desemprego, foram-se os anéis... e os dedos ficaram um tanto ou
quanto machucados, precisando rapidamente e quase in extremis de
uma operação salvadora. E a Europa, que nos acenou com cenouras
a mais não parece ter contemplações com um parente pobre que
teima em bancar de rico. Manda-nos a conta da modista. E do
merceeiro. E dos muitos fornecedores que teimamos em esquecer.
Se
não conseguirmos fazer marcha atrás, no nosso afã de gastar
mais do que ganhamos, é certo e sabido que entramos numa onda
avassaladora. Que nos há-de manietar de tal modo que não
conseguimos despir a camisa (de muitas varas...) em que nos
espartilham. Se não conseguirmos poupar nas galopantes despesas -
até, e sobretudo, com o Estado e seus (maus) servidores - o
caminho do fim está próximo. E nem sequer sabemos se as
próximas eleições não serão as últimas. É que a Europa não
há-de querer ter no seu seio um parceiro tão perdulário, tão
despesista, tão “não te rales” que teima em exportar para os
outros uma forma atávica de ser que só pode causar mal-estar.
Houve,
de facto, nos últimos dez anos, muitos desmandos. Dos que nos
ajudaram a entrar na crise e daqueles que, mesmo jurando a pés
juntos que nos iriam puxar para cima, mais não fizeram do que...
empurrar para baixo. Talvez porque a panaceia imposta já não tem
pernas para andar. Desmandos muitos a dar-nos a entender que
Portugal, enquanto Nação, necessita cada vez mais de uma
clarificação de intenções, suportada por um rol de medidas
práticas que já não podem tardar.
Programas
realistas. Intenções honestas. Políticos que consigam pôr
acima dos seus, os interesses da colectividade. Sem pensar nos
chamados “media” que jogam para todos os lados desde que esses
lados sejam os dos seus próprios interesses. Que não deixam
andar em frente mesmo àqueles que fazem disso o seu cavalo de
batalha. E que criticam por igual os ministros que sabem o que
estão a fazer e os outros. Não há, de facto, pachorra para
ouvir tantos dislates. Com as Finanças a sofrerem com isso. E com
a opinião pública a ser, dia após dia, “metralhada” com
ideias-força falhas de bom senso.
Felizmente
que já não há tempo nem condições para fazer sair de uma
qualquer aldeia ou vila de Portugal um homem de botas cardadas que
ponha o país a pensar certo. Porque, se o houvesse, neste
momento, éramos bem capazes de estar à beira de algo de que nos
envergonharíamos para todo o sempre, já que as ditaduras têm
todas os dias contados.
Desta
forma, a 20 de Fevereiro, importa votar bem. Abjurando as falinhas
mansas de quem só quer o poleiro, mas atendendo tão somente às
ideias-força que nos forem atiradas. Sobretudo importa escolher
os políticos que nos injectem uma certa dose de confiança. Que
anda perdida há mais de uma década. E que teima em ser dama
prendada e séria que só se dá a quem a merece. E às vezes...
pensamos não merecer ter confiança.
Fernando
Cruz Gomes
Maio
03
Durão
Barroso visitou Jacques Chirac e comentou o "choque" do
21 de
Abril num debate organizado por Jean-Pierre Raffarin
O
" choque " do 21 de Abril foi o tema do debate
organizado no hotel Intercontinental em Paris pelo clube Dialogue
et Initiatives, fundado pelo Primeiro-Ministro Jean-Pierre
Raffarin, Dominique Perben, Michel Barnier e Jacques Barrot.
Além dos fundadores participaram
os Primeiros-ministros, de Espanha, José Maria Aznar,
Jean-Claude Juncker, do Luxemburgo e Mikulas Dzurinda da Eslováquia
assim como o presidente da UMP e antigo Primeiro-ministro Alain
Juppé, o ministro-presidente da região alemã de Hesse, Roland
Koch, a presidente da CDU alemã, Angela Merkel e a Fundação
Konrad-Adenauer.
Nos comentários que se ouviam entre os jornalistas presentes
ficou a ideia que ninguém acreditava que todos estes ilustres
congressistas estivessem em Paris apenas para debater sobre o
choque das eleições de 21 de Abril de 2002 em França que deram
17,5% de votos a Jean-Marie Le Pen. A crise provocada pela guerra
do Iraque e a divisão criada em os pró e os contra os americanos
estava presente na mente de cada um. Entre Alain Juppé que vê
nos Estados Unidos um partener e não um “protectorado” e José
Maria Aznar que “aconselha” os franceses a “não definir a
integração europeia de maneira negativa contra quem quer que
seja” e lembrando que os dois lados do Atlântico “partilham
os mesmos valores”, constatou-se que muitas arestas ainda
estavam por limar. Sobretudo, o Primeiro-ministro espanhol disse
ainda a Alain Juppé que este teria de integrar a dimensão
“insular” da
Espanha nos seus cálculos europeus.
Enquanto Jean-Pierre Raffairin sugere o controle da mundialização,
Durão Barrozo diz que não temos nada a temer da mundialização,
bem pelo contrário e Aznar confirma dizendo que a descentralização
é bom mas que a liberalização é ainda melhor.
Depois de jantar com Jean-Pierre Raffairin, Durão Barroso foi
recebido no dia seguinte pelo presidente Jaques Chirac
AC
Maio
03
Batalhas
perdidas em Portugal
Há
quem o acredite. Durão Barroso, talvez ao ver o que aconteceu com
George Bush, esperava que a guerra no Iraque lhe desse um pouco de
"ar" na "anemia" geral que se vai anotando no
Portugal que amamos. Esperava e tudo fez para entrar no combóio,
quando ele já estava em andamento...
Tudo parecia indicar que, de facto, o troar do canhão daria força
a um Governo que, mercê de toda uma série de desmandos que são
capazes de vir de longe, estava fora de tom e mais ou menos em
derrapagem. Sim, porque depois de muitos erros e alguns saltos no
que diz respeito à forma como nos areópagos internacionais, tudo
isto se pode conduzir... a guerra estava, à partida, ganha, tão
formidável era o impacto das máquinas que Washington mandou para
o Iraque.
Só que, no plano interno, tudo virou ao contrário. Primeiro, foi
Isaltino Morais apanhado das malhas de um "esquecimento
grave" que teve de abandonar o barco. Depois... Valente de
Oliveira. Depois... houve que fazer uma remodelação forçada,
mais ou menos a mando dos outros... que não augura nada de bom
para este primeiro-ministro, que -
contràriamente ao que acontecia com um dos vultos que o
PSD deu à cena política nacional - se engana muitas vezes...
Alguém dizia, não há muito, que este Governo parece não saber
bem o que fazer. Que esgotou muitas das bandeiras eleitorais, como
foi o caso do código de trabalho que está ainda na mira de fogo
dos opositores. As bandeiras eleitorais são o que são, mas
deveriam representar o programa político de uma maioria que está,
de facto, mais anémica. Sobretudo se houver necessidade, a breve
trecho, de sacrificar outros nomes e algumas "estrelas"
de uma constelação que não deu brilho.
Sim... porque em tribunal "navegam" barcos que podem bem
ir ao fundo. Sim, porque em inspecções e estudos... há material
para fazer rolar algumas cabeças. Sim, porque nos corredores do
Poder - designadamente nas Necessidades - há vozes discordantes
no tocante ao "homem do leme".
A guerra pode resolver algumas questões nos Estados Unidos. Pode
levantar o nível das sondagens. Não nos parece, porém, que seja
panaceia para consumo interno, quando se trata de um País como
Portugal. Que, no tocante à guerra, apenas poderá, quando muito
- e já não seria mau de todo - aspirar a ajudar às tarefas da
(re)construção. Que para isso... já vamos estando habituados um
pouco por todo o mundo.
Fernando
Cruz Gomes
Maio
02
Jacques
Chirac não esqueceu a Comunidade Portuguesa
O
Presidente françês conviveu com os portugueses num já celebre
restaurante, o Dom António em Saint-Maur (arredores de Paris),
depois de uma entrevista concedida à rádio Alfa.
Visivelmente cansado quando chegou ao restaurante, Jacques Chirac
apareceu no entanto jovial e sorridente como sempre, apertando
dezenas de mãos que se estendiam na rua. Depois do discurso de
António Cardoso*, proprietário do Dom António, o presidente da
República elogiou a capacidade empreendedora e de integração
dos portugueses não esquecendo referências ao sucesso
empresarial de Armando Lopes e de António Cardoso assim como
palavras de saudade e de admiração por Amália Rodrigues. (Uma
das salas do Dom António tem o nome de “Casa da Amália” e
foi inaugurada pela artista).
Chirac felicitou igualmente o jovem e novo deputado Carlos Gonçalves
referindo ainda que “muitos franceses de origem portuguesa e
muitos portugueses exercem cargos importantes em todos os sectores
socio-culturais e económicos em França”.
Num tom irónico, disse que “estava sobretudo preocupado pelo
facto que, devido ao desenvolvimento de Portugal, cada vez mais
portugueses regressavam ao seu país”.
Os cerca de duzentos convidados, portugueses e responsáveis políticos
regionais empurravam-se e disputavam com os fotógrafos e câmaras
de televisão os escassos centímetros quadrados à frente do perímetro
reservado ao Presidente.
António Cardoso, declarou ao Encontro que tinha convidado o
Presidente ao seu restaurante através do deputado Henri Plagnol,
“um grande amigo dos portugueses” porque havia constituído um
“Comité” português de apoio ao candidato Jacques Chirac.
O Elysée fez coincidir este convite com o da rádio Alfa o que
permitiu também um encontro com as associações portuguesas
solicitado há vários meses por Paulo Marques, um dirigente
associativo lusodescendente, conselheiro municipal de Aulnay sous
Bois e membro do Conselho Nacional da Juventude em Portugal.
No discurso que proferiu, Chirac sublinhou que a “dupla
cidadania é um trunfo formidável” para os lusodescendentes por
terem uma dupla cultura. “Podem ter orgulho nos vossos pais,
mantenham e preservem a vossa cultura de origem”.
Entrevista
na rádio Alfa
A rádio portuguesa convidou todos os
candidatos para falarem aos portugueses mas dos que atingiram mais
de 5 por cento só Jacques Chirac, Nöel Mamère e Jean-Marie Le
Pen se deslocaram.
Interrogado por Artur Silva e Daniel Ribeiro, Jacques Chirac
demonstrou se necessário fosse que estava preparado para falar
com os portugueses. Escolheu uma canção de Fausto no final da
entrevista. Daniel Ribeiro admirado perguntou-lhe a razão de tal
escolha. Chirac respondeu que quando se fala de Portugal em termos
de música o pensamento imediato vai para o fado e particularmente
para a grande Amália Rodrigues. No entanto, como era um
apaixonado pela história, pela Ásia e pelos descobrimentos
portugueses nomeadamente pela história de Fernão Mendes Pinto,
tinha escolhido o cantor que tinha musicado a história do
descobridor. O presidente afirmou ainda que, contrariamente a
alguns historiadores acreditava ter sido Fernão Mendes Pinto o
primeiro europeu a chegar ao Japão. Referiu para concluir que
“não era importante a contestação dos historiadores mas sim o
talento e a superna maneira como a história
era contada”.
“Fausto é um cantor de esquerda”, disse Daniel Ribeiro, algo
incrédulo. “Ninguém é perfeito” respondeu Jacques Chirac.
O Presidente não quis comentar a vitória da direita em Portugal.
“Não posso imiscuir-me na política interna portuguesa,
Portugal é um país que respeito muito. No entanto, Durão
Barroso é um dos meus amigos e a título pessoal regozijo-me pela
sua vitória e desejo-lhe muita sorte”. Jacques Chirac disse
ainda que o ensino da língua portuguesa se deve desenvolver em
França e que é a favor da criação de um Liceu Português em
Paris tal como já existe o Liceu Espanhol. “Já tive a
oportunidade de o referir isso mesmo ao Primeiro-Ministro português
e de invocar a necessária reciprocidade. É preciso também um
esforço de Portugal para ensinar o francês. Sempre defendi o
respeito da diversidade cultural.
A riqueza do mundo e particularmente da Europa consiste
exactamente nessa diversidade nomeadamente nas línguas. Deve-se
portanto dar um impulso ao ensino dessas línguas”.
*Homónimo do jornalista
A.
Cardoso
Janeiro
01
Já
é tempo de acordar !
Tal
como tínhamos anunciado edição
anterior, Armando Lopes confirmou no dia 18 de Dezembro, no
Gymnase de Reuilly, a sua candidatura na lista de Jean François
Pernin, para a câmara de Paris 12.
Já
era um segredo de polichinelo que o empresário português tinha
decidido aceitar o convite de Philippe Seguin para entrar na
corrida com a condição de ter a certeza de obter um posto de
vereador na capital Francesa.
Mas
a política é assim, tudo tem de ser ponderado e uma das
primeiras coisas que se aprendem é a moderação. Todos nós já
ouvimos os políticos dizerem : “só aceitei candidatar-me
devido à insistência de muita gente, reflecti e constatei que
poderia útil.” Efectivamente, quem está na política tem de
demonstrar que as decisões não são tomadas de qualquer maneira,
sem a reflexão necessária.
Um
dos pontos mais importantes para se conseguir chegar aos eleitores
e em seguida convencê-los que têm o melhor programa e as
melhores intenções, é saber comunicar, lidar com a
Comunicação Social e assim poder veicular a imagem e as ideias.
E, nesta área, Armando Lopes tem-se revelado exímio. De facto,
compreendeu muito cedo que o futebol e a Comunicação Social lhe
trariam a projecção que necessitava para atingir os seus
objectivos e concretizar algumas das suas aspirações. Dedicou-se
de corpo e alma desde os anos sessenta ao “seu” clube de
futebol, “Os Lusitanos de Saint-Maur” e tomou o controle da
Rádio Alfa, única rádio de expressão portuguesa em Paris. Mas
também sabe mexer os cordelinhos que lhe permitem obter páginas
de destaque à sua candidatura no jornal Expresso, no Lusitano, no
Encontro, na Vida Lusa e outros.
A
plateia do Gymnase de Reuilly estava repleta e constatámos que
mais de metade da assistência era portuguesa ; até Eusébio, o
nosso “Pantera Negra” se tinha deslocado de Portugal para
apoiar o seu amigo Armando Lopes. Reconhe-cemos alguns
ex-detractores que aplaudiam ruidosamente os elogios que Philippe
Seguin fazia durante o seu discurso, ao candidato português.
Tínhamos
vontade de os entrevistar, perguntar-lhes se iriam votar, se
residiam no bairro...
Também
nos apeteceu felicitá-los por estarem presentes e por terem
eventualmente compreendido que “aquilo que nos une, é muito
mais importante que o que nos diferencia”.
Realmente,
a evolução social e económica da comunidade portuguesa deveria
em princípio contribuir para que aqueles que “não fazem nem
deixam fazer” abdiquem progressivamente de criticar tudo o que
se faz e o que não se faz, sob pretexto de defenderem as suas
capelinhas, esquecendo assim o bem comum.
E,
o bem comum dos Portugueses que residem em França, é estarem
inscritos nas listas eleitorais para serem recebidos com
educação e amabilidade pelas câmaras e outras instituições da
região onde residem e não como cidadãos de terceira classe. Só
assim conseguiremos que alguns franceses idiotas que se julgam
superiores, - felizmente uma minoria - tenham mais consideração por nós
e nos respeitem como merecemos.
Uma
vez inscritos, votem em quem quiserem e em quem lhes apetecer, em
função da vossa sensibilidade ou segundo os critérios que
definirem.
Não
se pode pensar que a política é só para os outros : a maneira
como são geridas as escolas onde estudam os nossos filhos, as
cantinas, a água que bebemos, a luz que alumia a nossa rua ou a
recolha do lixo, tudo é política. E, todos nós temos a nossa
palavra a dizer pois sabemos o que está bem e o que funciona mal.
Já é tempo de acordar.
Já
tive a oportunidade de escrever na Vida Lusa que fora de Portugal,
sou tanto do Benfica como do Porto, do Sporting ou de qualquer
outro clube. Aplico a mesma lógica à política e sou
“adepto” de todos os partidos portugueses, excepto dos
xenófobos. Mas em Portugal os “meus” são os melhores, nem
que percam sempre.
Em
Paris 12 vou tentar convencer os meus amigos a apoiar a lista onde
está Armando Lopes e vou fazer o mesmo em todas as câmaras onde
se apresentem portugueses.
António
Cardoso
Novembro
00
Partido
Social Democrata (PSD) festeja 25° aniversário em Paris
No
mês de Outubro, o PSD Partido Social Democrata, festejou os seus
25 anos de existência em Paris. O jovem e simpático presidente
da Câmara de Pavillons Sous Bois, Philippe Dallier disponibilizou
uma das salas de festas da Câmara para receber o Presidente do
Partido, José Manuel Durão Barroso, acompanhado pelo candidato
à Presidência da República, Joaquim Ferreira do Amaral e pelo
deputado José Cesário.
Como sempre nestas ocasiões, o presidente da Secção de
Paris, Carlos Gonçalves mostrou-se exímio na arte de discursar
sobre as carências da comunidade em termos políticos e de bem
receber os militantes.
Ficámos perplexos à nossa chegada pois a fila de espera
repleta de jovens para entrar na sala era enorme e começámos a
sonhar com o peso dos votos dos emigrantes nas próximas
eleições presidenciais em Portugal.
Acordámos rapidamente ao constatar que a fila de espera se
destinava ao espectáculo do cómico Pierre Palmade que decorria
à mesma hora numa sala vizinha.
Mesmo assim, não ficámos desapontados pois o “nosso”
jantar reunia à volta de trezentas pessoas e pela primeira vez
desde há muitos anos, notámos uma predominância de jovens e
bastantes caras novas.
Infelizmente, os discursos pareceram-nos algo retrógrados
e vazios de projectos inovadores para interessar realmente os tais
lusodescendentes pela política portuguesa. Partimos pois
decepcionados por nem sequer ter provado nem visto o bolo de
aniversário.
Resta-nos esperar que esta nova geração de políticos,
tais como o Carlos Gonçalves, o José Cesário, o Philippe
Dallier e outros de todos os Partidos, saibam encontrar as
palavras apropriadas e justas assim como os meios necessários
para convencer os portugueses residentes no estrangeiro que a
política não é só conversa e que se não exprimem as suas
opiniões nos actos eleitorais, serão sempre considerados como
turistas de passagem.
António
Cardoso
|